quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Como entender um fenómeno?

Para se entender profundamente um fenómeno é indispensável a análise de seus precedentes.

2 + 2 = x

Não conseguiremos descobrir o valor de "x" não tivermos consciência do valor de "2". A sentença "x = x" não nos permite encontrar o valor por falta de premissas, enquanto "2 + 2 = x" contém a resposta em sí mesmo, só precisamos deduzi-la.

Quando falamos dos precedentes de um fenómeno, falamos das condições sob as quais floresce o mesmo. Ao analisar as características de um solo podemos descobrir que tipo de cultura pode sser feita ali.

Quando determinados fenómenos constituem uma negação do que o precedeu, esta chave é ainda mais fundamenal devido ao fato que o fenómeno estudado se desenvolve negando elementos do fenómeno anterior. Através dos precedentes podemos determinar o caráter de um fenómeno histórico. Florestan Fernandes discorre sobre a dominação norte-americana em Cuba para afirmar que a Revolução Cubaba teve por papel histórico a resolução das contradições com o imperialismo(Da Guerrilha ao Socialismo: A Revolução Cubana, 2007), por exemplo. Seria impossível conceber a ascensão do nazismo sem a derrota alemã e a o estado da República de Weimar, o primeiro que encontrou sua "vingança" e o segundo que encontrou sua negação no fenómeno Nacional-Socialista - as desgraças da guerra aqui tiveram sua válvua de escape. O fracasso de um governo militarista pode significar a ascensão de uma onda pacifista. A Revolução Francesa constitui uma negação do Ancién Regime, e a Escola Marxista, por sua vez, propõe que uma revolução social se dá quando o desenvolvimento das forças produtivas entre em contradição com o modo de produção. Os exemplos se estendem a praticamente todo tipo de fenómeno, especialmente históricos, ad infinitum.

Por isso, conclui-se que a primeira chave para a compreensão de um fenómeno são seus precedentes, as suas raízes. Em breve discorrerei mais sobre esse tema.

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