quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

"O que está acontecendo na Líbia?"


Segue a abaixo a declaração do Secretário do Comitê Popular Geral, Dr. Al Baghdadi Al Mahmudi, de caráter extremamente elucidativo ativo em relação aos recentes acontecimentos da Líbia e que permitem ampliar nossa visão dos mesmos para além da visão superficial passada pela mídia dominante. O texto texto tem uma ênfase especial na questão do fundamentalismo islãmico, além de se utilizar do termo "terrorismo", que pode ser interpretada não como uma mera alcunha moral(ou referência a participação da Al Qaeda) mas sim como uma referência aos tipos de ações realizadas pelos sublevados(ex: incêndio de prédios públicos). A especial ênfase na Al Qaeda ao invés da ameaça externa(como uma intervenção da OTAN), expressa o pragmatismo do Dr. Al Mahmudi em considerar os interesses ocidentais em sua argumentação.

"Os eventos que começaram na região leste eram no início pequenos e espontâneos e eram para apresentar algumas demandas sociais, semelhante ao que acontece em diversos países no mundo, e foram tratados pela segurança com atenção e responsabilidade.

As situações evoluíram para ações de violência e começaram a atacar locais públicos, locais civis, a segurança e militares com o objetivo de se instalar para
praticarem outras ações.

Eles foram autuados e através do recolhimento de informações ficou clara a existência de grupos de fora da Líbia comandando estas pessoas, aonde a maioria
veio do Afeganistão e tem relações com a Al Qaida, são de nacionalidade egípcia, tunisiana, palestina, somali e síria, além de alguns líderes islâmicos radicais que foram soltos
há um tempo não muito distantes pelos esforços da Fundação Al Khaddafi Internacional para o Desenvolvimento.

Os objetivos dos tumultos e sabotagens são:
1 - Transformar a região leste em um centro da Al Qaida. Anunciaram a fundação do que foi chamado de Principado de Albayda, Principado de Darna e transformaram
as mesquitas em estações islâmicas da Al Qaida, incitaram os jovens para o Jihad para transferir a batalha contra a Europa para um lugar mais próximo dela (a Grécia é distante mas das Líbia são apenas 100 milhas das cidades de Darna e Albayda).
2 - Dividir a Líbia e ameaçar a unidade nacional, mas isto não acontecerá nem com a nossa morte.

A Jamahiriya Árabe Popular Socialista Líbia perante esta situação terá uma das duas soluções:

1 - Deixar estes terroristas trabalharem como quiserem e ameaçar a segurança nacional e nossos vizinhos na Europa.

2 - Partir para solucionar o problema de uma forma definitiva, conforme a lei, e a não permissão de ameaçar a unidade nacional para transformar a Líbia num centro
de terrorismo. Este é um direito nosso e um direito dos nossos vizinhos sobre nós, exclusivamente do sul da Europa.

3 - O que nos interessa é o seguinte:
• A segurança da nação e a proteção da segurança nacional.
• A integridade do território nacional.
• Não possibilitar a Al Qaida se apoderar desta parte da Jamahiriya e ameaçar nossos vizinhos, especialmente a Europa. Iremos lidar com este problema de forma civilizada.
• Cada país tem o direito de lidar contra quem sujeita sua segurança, integridade e unidade ao perigo, sendo que há muitos exemplos e testemunhas como o ataque
ao parlamento russo por Yeltsin quando membros do parlamento tentaram sujeitar a estabilidade russa ao perigo, assim como a ocupação de Faluja no
Iraque pelos americanos, a revolução dos negros em Los Angeles e o ataque aéreo americano ao vilarejo de Dugha no Afeganistão e em Waziristan.
• Os Congressos Populares de Base se reunirão para adotar a decisão adequada.
• Temos um código de conduta assinado pelo povo líbio pela preservação da unidade nacional e não praticar o que prejudique o interesse nacional, e quem rejeitar assumirá as consequências.

1. A Al Qaida deseja fundar um principado na região leste para atacar a Europa e temos provas e informações sobre isto, sendo este o seu plano, da Mauritânia até o Egito, onde Bin Laden transferirá seu comando para a região leste se lhe for permitido.
2. Tais pessoas obtiveram armas e equipamentos, usam as pessoas como escudo humano e conseguiram também se apossar de alguns centros policiais e mataram civis inocentes.

Dr. Al Baghdadi Al Mahmudi
Secretário do Comitê Popular Geral da
Grande Jamahiriya Árabe Popular Socialista da Líbia"

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Mal-estar lucrativo

O Estado liberal, instituição que teoricamente representa a sociedade como um todo, se manifesta claramente como instrumento das classes capitalistas a partir do ponto que prioriza o "triunfo econômico" de entidades privadas em detrimento da coletividade em sí. Aqui a polis perde seus traços caracteristicos, a primazia da entidade coletiva e de certa forma a própria atividade política; os valores civicos e principios políticos outrora tão pregados pela revolução burguesa se tornam supérfluos, meros enfeites num contexto de dominação econômica - defende-se a democracia na teoria no intuito negá-la na prática. O parvo dirá que "cada indivíduo deve cuidar de sua própria vida", mas como o fazer quando o indivíduo é antes de tudo um ser social e uma vida está inevitavelmente ligada a uma outra, sendo que cada uma delas se molda justamente pela atividade social? Afinal o argumento do parvo apela à responsabilidade justamente para poder fugir da mesma, ou seja, do fato que cada ação tem repercussões para além do ser individual..

"Os pecados pelos quais o estado do bem-estar pagava eram os da economia capitalista e da competição do mercado, do capital que não pode manter-se solvente sem enormes custos sociais, em existências despedaçadas e vidas arruinadas - os custos que, no entanto, se recusava a pagar ou não podia pode sobre ameaça de insolvência. Se atualmente ouvimos dizer que, nós "os contribuintes", "já não podemos custea-lo", isso significa apenas que o estado já não considera conveniente ou necessário subscrever os custos sociais e humanos da solvência econômica(que, sob condições de mercado, é equivalente a lucratividade). Em vez disso transfere o pagamento as próprias vitimas, presentes e futuras. Recusa a responsabilidade por sua própria 'má sorte' - exatamente com abandonou a antiga tarefa de "reacomodação" da mão de obra. Não há mais seguro coletivo contra riscos: a tarefa de lidar com os riscos coletivamente produzidos foi privatizada." - Zygmunt Bauman, em “O mal-estar da pós-modernidade”



sábado, 19 de fevereiro de 2011

Nacional-Socialismo Alemão e Burguesia

"Os grandes negócios foram os que que ganharam mais. Empresas gigantes como Mannesmann, Krupp, Thyssen, Flick e Ig-Farben, e bancos importantes como o Deustche Bank, foram os principais beneficiários, enquanto uma variedade de consórcios, funcionários corruptos do Partido e um número incalculável de pequenos empreendimentos comerciais agarravam o que podiam. Pilares "arianos" do establishment, como médicos e advogados, também apreciavam as vantagens econômicas que podiam levar com a expulsão dos judeus de suas profissões. Cada grupo, agência ou individuo envolvido em levar adiante a radicalização da discriminação contra judeus tinha interesses próprios e uma pauta especifica. O que os unia e justificava era a visão de purificação racial e, em particular, de "um Alemanha livre de judeus", encarnada na pessoa do Fürher." - Ian Kershaw, Hitler




domingo, 6 de fevereiro de 2011

Patriotismo ou militarismo?

“A França orgulhosamente treina seu povo como uma nação armada. Não seria isso militarismo? E a América, que tão conscienciosamente hasteia a bandeira da paz, ensina em suas universidades – isso é um fato – a arte da guerra para futuros oficiais, recruta a juventude educada para os corpos de oficiais, e prepara sua indústria para a mobilização. Eu gostaria de chamar isso de patriotismo, mas aqui em casa é chamado de militarismo.” - Major General Hans von Seeckt, 1929