quinta-feira, 24 de março de 2011

Irã fundamentalista?

Aiatolá Ruhollah Khomeini, líder da Revolução Iraniana
- Se fundamentalismo significa intolerância religiosa, o Irã sai de tal definição devido a sua ampla e bem-tratada comunidade judaica, que além de ter suas sinagogas intactas é especificamente representada no parlamento.
- Se fundamentalismo significa a única e total implementação das leis islãmicas encontradas nos textos tradicionais da religião, então o Estado iraniano não é fundamentalista. Muitas de suas leis, assim como sua estrutura e organização são provenientes de fontes não islãmicas - alguém já viu parlamento no Corão(ou durante a história dos povos islãmicos?). Presumir que qualquer influência islãmica nas leis do país constitui "fundamentalismo" é aplicar tal alcunha aos EUA e sua influência especialmente cristã.
- Se fundamentalismo implica a rejeição da modernidade e do "estado-nação", o nacionalismo da Revolução Iraniana é incompativel com tal. A Revolução Iraninana nunca manteve posições anti-tecnológicas ou ultra-tradicionalistas.
- Se fundamentalismo significa a pretensão de retornar a um "passado de ouro" do Islã, tal pretensão é incompativel com a ideologia da Revolução Iraniana e inclusive com sua República Islãmica.
- Se fundamentalismo significa propor que a religião deve ser buscada direta nos textos sagradas sem a orientação de uma casta religiosa-escolástica, então a Revolução Iraniana não entra em tal definição já que teve a ativa participação dos "professores do Islã"(mulás e ulemás) e Khomeini pregava a importância dos mesmos.
- Se fundamentalismo significa acreditar que o texto sagrado é forma pura da palavra divina, então deveríamos dizer que por principio todo mulçumano, todo judeu e todo cristão são fundamentalistas.
- A idéia de inflexibilidade conotada pela palavra fundamentalismo não parece compátivel com o flexível discurso outrora utilizado por Khomeini, inovador, pouco tradicionalista e com muitas influências externas em relação ao Islã.

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