sexta-feira, 27 de maio de 2011

Leis objetivas


"O marxismo concebe as leis da ciência — quer se trate de leis das ciências naturais, quer de leis da economia política — como o reflexo de processos objetivos, que se realizam independentemente da vontade dos homens. Os homens podem descobrir estas leis, conhecê-las, estudá-las, levá-las em conta nas suas ações, utilizá-las no interesse da sociedade, mas não podem modificá-las nem aboli-las. E menos ainda podem formar ou criar novas leis da ciência.

Significa isso, por exemplo, que os resultados da ação das leis da natureza, os resultados da ação das forças da natureza, sejam em geral inelutáveis, que as ações destrutivas das forças da natureza se manifestam sempre e em toda parte, como uma força inexorável e espontânea, que não se submete à influência do homem? Não, não significa. Se se excluírem os processos astronômicos, geológicos e alguns outros análogos, nos quais os homens, mesmo conhecendo as leis do seu desenvolvimento, são realmente incapazes de influir, em muitos outros casos os homens estão longe de ser incapazes, quanto à possibilidade de influir nos processos da natureza. Em todos esses casos, os homens, conhecendo as leis da natureza, tomando-as em consideração e apoiando-se nelas, tendo capacidade de aplicá-las e utilizá-las, podem limitar sua esfera de ação, dar às forças destrutivas da natureza outra direção, transformar as forças destrutivas da natureza em benefício da sociedade.

Tomemos um entre muitos exemplos. Antigamente, os transbordamentos dos grandes rios, as inundações e conseqüentes destruições de moradias e lavouras, consideravam-se calamidades inelutáveis, contra as quais os homens eram impotentes. Todavia, com o decorrer do tempo, com o desenvolvimento dos conhecimentos humanos, quando os homens aprenderam a construir as represas e as hidrelétricas, tornou-se possível proteger a sociedade contra a calamidade das inundações, que dantes pareciam inelutáveis. Ainda mais, os homens aprenderam a domar as forças destrutivas da natureza, aprenderam por assim dizer a amansá-las, a transformar a força da água em benefício da sociedade e a utilizá-la na irrigação dos campos e para a obtenção de energia.

Significa isto que os homens aboliram assim as leis da natureza, as leis da ciência, que criaram novas leis da natureza, novas leis da ciência? Não, não significa. Na verdade, toda essa operação para evitar as ações destruidoras da força das águas e para sua utilização no interesse da sociedade, ocorre sem qualquer infração, modificação ou supressão das leis da ciência, sem a criação de novas leis da ciência. Ao contrário, toda essa operação se realiza exatamente à base das leis da natureza, das leis da ciência, porque qualquer infração às leis da natureza, a mais insignificante das infrações, conduziria apenas à desorganização, ao fracasso.

A mesma coisa é preciso dizer a respeito das leis do desenvolvimento econômico, das leis da economia política — quer se trate do período do capitalismo, quer do período do socialismo. Aqui, da mesma forma que nas ciências naturais, as leis do desenvolvimento econômico são leis objetivas, que refletem os processos do desenvolvimento econômico, que se realizam independentemente da vontade dos homens. Os homens podem descobrir essas leis, conhecê-las e, baseando-se nelas, utilizá-las no interesse da sociedade, dar outro rumo às ações destrutivas de algumas leis, limitar sua esfera de ação, dar livre espaço a outras novas leis que abrem caminho para adiante, mas não podem destruí-las ou criar novas leis econômicas.

Uma das peculiaridades da economia política consiste no fato de que as suas leis, diferentemente das leis das ciências naturais, não são permanentes. Pelo menos a maioria delas atua no decorrer de um determinado período histórico, depois do qual cede lugar a novas leis. Mas essas leis não são destruídas, perdem sim sua validade, em conseqüência de novas condições econômicas e saem de cena para dar lugar a novas leis, que não se criam pela vontade do homem, pois surgem à base de novas condições econômicas." - Josef Stálin, Problemas Econômicos do Socialismo na URSS

terça-feira, 24 de maio de 2011

O marxismo contra o postulado da igualdade



"O postulado da igualdade tem, pois, na boca do proletariado, uma dupla acepção. As vezes - como sucedeu sobretudo nos primeiros tempos, na guerra dos camponeses, por exemplo, - este postulado significa a reação natural contra as desigualdades sociais clamorosas, contra o contraste entre ricos e pobres, Senhores e servos, famintos e glutões. Este postulado da igualdade não é mais que uma explosão do instinto revolucionário e somente isso é que o justifica. Outras vezes, no entanto, nasce esse postulado como reação contra o postulado de igualdade da burguesia e tira dele muitas conseqüências avançadas, mais ou menos exatas, sendo utilizado como meio de agitação para levantar os operários contra os capitalistas, usando para isso frases tomadas dos próprios capitalistas e, considerado desse aspecto, se organiza e cai por terra esse postulado juntamente com essa mesma liberdade burguesa. Tanto num como noutro caso, o verdadeiro conteúdo do postulado da igualdade proletária é a aspiração de alcançar a abolição das classes. Qualquer outra aspiração de igualdade que transcenda a tais limites desborda, necessariamente, para o absurdo. Demos já alguns exemplos a este respeito e poderemos encontrá-los em abundância quando chegarmos às fantasias sobre o futuro, do Sr. Dühring.
Como vemos, a idéia da igualdade, tanto na sua forma burguesa como na proletária, é, por si mesma, um produto histórico que somente podia tomar corpo em virtude de determinadas condições históricas, as quais, por sua vez, tinham por trás de si um grande passado. Está longe, pois, de ser uma verdade eterna. " - Friedrich Engels em Anti-Duhring.

"Em Hamburg, Wedde havia avistado o Dr. Höchberg e o mesmo avistou Wedde.

O primeiro estaria tingido como algo de superficialidade e arrogância berlinense, porém o segundo gostou do primeiro, apesar deste ainda sofrer muito de “mitologia moderna”.

Quando aquele sujeitinho do Wedde esteve em Londres, pela primeira vez, usei a expressão "mitologia moderna" como designação das Deusas da "Justiça, Liberdade, Igualdade etc.", as quais voltaram a andar à solta por aí.

Isso lhe provocou uma profunda impressão, pois o próprio Wedde tem feito muito a serviço dessas entidades superiores." - Karl Marx, em Carta a Friedrich Engels(1° de Agosto de 1877), onde a igualdade é designada como mitologia.



"“Justiça”, “humanidade”, “liberdade”, “igualdade”, “fraternidade”, “independência” : até o presente momento, não encontramos, no Manifesto Pan-Eslavista, nada mais do que essas categorias mais ou menos morais que, em verdade, soam de modo bonito, mas que, absolutamente, nada provam, em questões históricas e políticas.

A “igualdade”, a “humanidade”, a “liberdade” etc. podem reivindicar isso ou aquilo, por milhares de vezes.

Mas, se a questão em causa é impossível, não acontecerá de jeito nenhum e, apesar de tudo, permanece sendo uma “criação utópica vazia”." - Friedrich Engels em "O Pan-Eslavismo Democrático"


"A noção de sociedade socialista como reino da igualdade é uma noção francesa unilateral que se apóia na velha consigna de “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, noção essa justificada enquanto fase de desenvolvimento de seu tempo e lugar, mas que deveria ser agora superada, tal quais todas as unilateralidades das precedentes escolas socialistas. Pois, essas unilateralidades criam apenas confusão mental, sendo que foram encontrados modos mais precisos de apresentação das coisas." - Friedrich Engels em Carta à Auguste Bebel(Março de 1875)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

"Ética Nietzschiana", de Scarlett Marton


Texto retirado de: http://revistacult.uol.com.br/home/

Ousado, irreverente, rebelde, é sobretudo dessa maneira que Nietzsche é conhecido entre nós. Filosofando a golpes de martelo, este pensador, um dos mais controvertidos de nosso tempo, não hesita em seus escritos em desafiar normas. Tanto é que ele vem questionar nossa maneira habitual de proceder, nosso modo costumeiro de agir. Ao criticar de forma contundente os valores que norteiam nossa conduta, quer mostrar que, ao contrário do que supomos, o bem nem sempre contribui para o prosperar da humanidade, nem o mal para a sua degeneração.

Diagnosticar os valores estabelecidos é um dos propósitos que Nietzsche se coloca nos textos a partir de Assim Falava Zaratustra. Introduzindo a noção de valor, ele opera uma subversão crítica: põe de imediato a questão do valor dos valores e, ao fazê-lo, levanta a pergunta pela criação dos valores. Se nunca se colocou em causa o valor dos valores “bem” e “mal”, se nunca se hesitou em atribuir ao homem “bom” um valor superior ao do “mau”, é porque se consideraram os valores essenciais, imutáveis, eternos.

Mas, ao contrário do que sempre se acreditou, Nietzsche quer evidenciar que os valores “bem” e “mal” têm uma proveniência e uma história. Eles não existiram desde sempre, não são obra de uma divindade ou de um princípio superior. “Humanos, demasiado humanos”, em algum momento e em algum lugar, simplesmente foram criados; por isso mesmo, surgem, passam por transformações e podem vir a desaparecer, dando lugar a novos valores.

Na Grécia antiga dos tempos homéricos, a aristocracia guerreira concebeu espontaneamente o princípio “bom”, que atribuiu a si mesma; só depois criou a ideia de “ruim”, como “uma pálida imagem-contraste”, para designar os que não pertenciam à casta, os que não eram dignos de serem inimigos. Com o judaísmo e o cristianismo, os sacerdotes converteram a preeminência
política em preeminência espiritual. Enquanto valor aristocrático, “bom” se identificava a nobre, belo, feliz; tornando-se valor religioso, passou a equivaler a pobre, miserável, impotente, sofredor, piedoso, necessitado, enfermo. A transformação por que então passaram os valores morais foi fruto do ressentimento de homens fracos, que, não podendo lutar contra os mais fortes, deles tentaram vingar-se através desse artifício.

Nesse sentido, a religião cristã, desde o seu apareci-
mento, desempenhou papel de extrema relevância. Criação do apóstolo Paulo, ela veio impor o reino dos fracos e dos oprimidos. Se Nietzsche se dedica a criticá-la de forma radical, é antes de mais nada porque a vê como um sintoma da degeneração dos impulsos vitais. Produto do ódio e desejo de vingança daqueles a quem não é dado reagir e só resta res-sentir, ela seria a expressão mesma da decadência.

Perspectivismo, não relativismo
Ora, ao apontar as diferentes perspectivas a partir das quais surgem os valores, Nietzsche conta desmontar o mecanismo insidioso que impedia de questioná-los. Não vacila em levar à mesa de dissecação o ressentimento, a culpa e a má consciência, o altruísmo, o amor ao próximo e as chamadas virtudes cristãs. Com um agudo sentido de análise, empenha-se em desvendar o funcionamento secreto das paixões do homem.

É em Montaigne, Pascal, La Rochefoucauld, Vauvenargues e Chamfort que Nietzsche se inspira em suas reflexões acerca da conduta humana. É neles, ao lado do escritor Stendhal, que encontra alimento para as suas reflexões morais. Os chamados moralistas franceses, em vez de procurar pautar o comportamento do homem por alguma lei divina ou princípio superior, propõem-se estudar o ser humano tal como ele é. Sem se preocupar com a natureza humana universal ou a misericórdia de Deus que viria salvá-la, querem tomar por objeto de estudo o homem, sem recorrer à metafísica ou à teologia.

A obra que esses pensadores empreendem consiste, de modo geral, numa análise sutil dos móveis do homem. Embora quase todos cuidem do modo de agir individual, sempre o concebem como determinado ou corrompido por preconceitos da sociabilidade. No século 17, Pascal dedica-se a fazer ver que o homem sempre se ilude a respeito de si mesmo. É por desconhecer-se que se imagina grande; é para evitar o espetáculo da própria condição que recorre a dissimulações. Observa como as conveniências sociais transformam seus móveis verdadeiros e, sob a máscara da vaidade, descobre seus apetites inconfessáveis. E, com muita propriedade, escreve nos Pensamentos: “Divertida justiça que um rio limita! Verdade aquém dos Pirineus, erro além” (fragmento 294). No século 18, Chamfort amplia o âmbito da pesquisa e chega a encarar a moralidade social como englobando ou alterando a dos indivíduos; no século 19, Stendhal é o primeiro que, pela observação comparada dos costumes de diversos povos, acredita atingir fatos gerais.

Assim como esses pensadores franceses que tanto admira, Nietzsche quer fazer ver que os valores não são universais. Mas nem por isso resvala no relativismo. Insiste, ao contrário, que não basta mostrar que os valores surgiram a partir de ângulos de visão diferentes. Não basta relacioná-los com as perspectivas que os engendraram; é preciso ainda investigar que valor norteou essas perspectivas ao criarem valores.

Genealogia dos valores
Na ótica nietzschiana, a questão do valor apresenta duplo caráter: os valores supõem perspectivas que os engendram; estas, por sua vez, ao criá-los, supõem um valor que as norteia. É nisso que consiste o procedimento genealógico. A genealogia comporta assim dois movimentos inseparáveis: de um lado, relacionar os valores com perspectivas avaliadoras e, de outro, relacionar estas perspectivas avaliadoras com um valor.

É preciso, pois, encontrar um valor ou, se se quiser, um critério de avaliação que não tenha sido criado, ele mesmo, por uma perspectiva avaliadora. Em outras palavras: é preciso adotar um critério de avaliação que não possa ser avaliado. E o único critério que se impõe por si mesmo é a vida. “É preciso estender os dedos, completamente, nessa direção e fazer o ensaio de captar essa assombrosa finesse de que o valor da vida não pode ser avaliado”, afirma Nietzsche. “Por um vivente não, porque este é parte interessada, e até mesmo objeto de litígio, e não juiz; por um morto não, por uma outra razão” (Crepúsculo dos Ídolos, “O Problema de Sócrates”, parágrafo 2).

Moral, política, religião, ciência, arte, filosofia, qualquer apreciação de qualquer ordem deve ser submetida ao exame genealógico, deve passar pelo crivo da vida. Fazer qualquer apreciação passar pelo crivo da vida equivale a perguntar se contribui para favorecê-la ou obstruí-la; submeter ideias ou atitudes ao exame genealógico é o mesmo que inquirir se são signos de plenitude de vida ou da sua degeneração; avaliar uma avaliação, enfim, significa questionar se é sintoma de vida ascendente ou declinante.

“Viver”, define Nietzsche em Para Além de Bem e Mal, “é essencialmente apropriação, violação, dominação do que é estrangeiro e mais fraco, opressão, dureza, imposição da própria forma, incorporação e pelo menos, no mais clemente dos casos, exploração” (parágrafo 259). A partir daí, compreende-se que ele encare a moral cristã como negação da vida. E, se tivesse sentido falar em bem e mal, consideraria bom tudo o que contribui para a expansão e exuberância da vida e mau tudo o que provém da fraqueza.

Transvaloração dos valores
Mas ao lado da vertente corrosiva de sua obra, Nietzsche apresenta-nos outra, construtiva. Entendendo que o filósofo deve ser o “médico da civilização”, a ele atribui a tarefa de “resolver o problema do valor”, “determinar a hierarquia dos valores”. A filosofia tem de mergulhar fundo na própria época para ultrapassá-la; ela deve visar o que está por vir, tendo em mira um objetivo preciso: a criação de valores.

É por isso que Nietzsche concebe sua obra como a tentativa de retomar as rédeas do destino da humanidade. Sócrates representou um marco na visão grega do mundo, substituindo o homem trágico pelo teórico; e Cristo, um marco no pensamento ocidental, substituindo o pagão pelo novo homem. Mas, com ele, a negação deste mundo em que vivemos aqui e agora “se fez carne e gênio”. Inimigo implacável do cristianismo, Nietzsche nele encontrará um adversário que julga à sua altura. Conta inverter o sentido que ele procurou dar à existência humana; espera subvertê-lo. E, para inaugurar esta nova era, tem de realizar a transvaloração de todos os valores.

Transvalorar é, antes de mais nada, suprimir o solo a partir do qual os valores até então foram engendrados. Aqui, Nietzsche espera realizar obra análoga à dos iconoclastas: derrubar ídolos, demolir alicerces, dinamitar fundamentos. É deste ponto de vista que critica a metafísica e a religião cristã.

Traço essencial de nossa cultura, o dualismo de mundos foi invenção do pensar metafísico e fabulação do cristianismo. Com Sócrates, teve início a ruptura da unidade entre homem e mundo – e a filosofia converteu-se, antes de mais nada, em antropologia. Com o judaísmo, houve o despovoamento de um mundo que estava cheio de deuses – e a religião tornou-se, acima de tudo, um “monótono-teísmo”. Com o cristianismo, propagou-se a mentira da vida depois da morte e do chamado reino de Deus. Desvalorizando este mundo em nome de um outro, essencial, imutável e eterno, a cultura socrático-judaico-cristã é niilista desde a base.

Transvalorar é, também, inverter os valores. Aqui, Nietzsche conta realizar obra análoga à dos alquimistas: transformar em ouro o que até então foi odiado, temido e desprezado pela humanidade. É deste ângulo de visão que denuncia o idealismo e reivindica a adesão a esta vida tal como a vivemos, a aceitação deste mundo tal como o encontramos aqui e agora.

É chegada “a hora do grande desprezo”; é chegado o momento de questionar tudo o que até então o ser humano venerou e, pelo mesmo movimento, afirmar tudo o que até então ele negou. Só assim será possível revelar o que por trás dos valores instituídos se esconde e trazer à luz o que eles mesmos escondem. Se outrora o maior delito era o cometido contra Deus, agora mais sacrílego ainda é delinquir contra a Terra. Se outrora se prezava acima de tudo a vida depois da morte, agora é urgente entender que eterna é esta vida. Se outrora a alma mostrava descaso pelo corpo, agora é preciso que o corpo torne evidente o caráter fictício da alma.

Transvalorar é, ainda, criar novos valores. Aqui, Nietzsche pretende realizar obra análoga à dos legisladores: estabelecer novas tábuas de valores. É desta perspectiva que concebe a filosofia.

Eliminando as esperanças ultraterrenas, Zaratustra, “o sem-Deus”, conta reinscrever o ser humano na natureza. Suprimindo o além, Nietzsche, “o anticristo”, quer estabelecer uma nova aliança entre homem e mundo. Naturalizar os valores morais, é nisso que consiste seu empreendimento filosófico.

É bem verdade que, em momento algum, o autor de Assim Falava Zaratustra pregará um tipo de comportamento determinado ou imporá um estilo de vida específico; ele jamais pretenderá dizer o que se deve fazer. Sublinhando o caráter singular e irrecuperável de cada ação, Nietzsche insistirá em fazer ver que nosso modo de agir tem doravante de nortear-se por valores em consonância com a Terra, com a vida, com o corpo.

E, para tanto, ele se empenhará tanto na crítica corrosiva dos valores quanto na criação de novos valores. Genealogia e transvaloração aparecem assim como as duas faces da mesma moeda. Afinal, “quem quiser ser um criador no bem e no mal, esse tem de ser um aniquilador e destruidor de valores”.



domingo, 22 de maio de 2011

Trotsky, o Estado e o dinheiro

"O problema do dinheiro e do estado possuem vários aspectos em comum, pois ambos se reduzem, no fim das contas, ao problema essencial: o rendimento do trabalho. As coações estatal e monetária pertencem à herança da sociedade dividida em classes que só pode determinar as relações entre os homens com a ajuda de fetiches religiosos ou laicos e coloca esses fetiches sob a proteção do mais terrível de todos - o Estado - um grande punhar nos dentes. Na sociedade comunista, tanto o Estado como o dinheiro desaparecerão. O seu desaparecimento progressivo deve pois começar sob o regime socialista. Só se poderá falar de vitória real do socialismo a partir do momento que o Estado não seja mais que um semi-Estado e o dinheiro comece a perder sua mágica força. Isto significará então que o socialismo, libertando-se dos fetiches capitalistas, começa a estabelecer entre os homens relações mais limpidas, mais livres e mais dignas.

Reivindicações pela “abolição” do dinheiro, “abolição” do salário, ou “liquidação” do Estado e da familia, caracteristicas do anarquismo, só apresentam interesse como modelo de pensamento mecanicista. O dinheiro não pode ser arbitrariamente "abolido", nem o Estado e a familia "liquidados". Eles terão de esgotar sua missão histórica, perder todo o seu significado e desaparecer. O fetichismo do dinheiro só receberá o golpe de misericórdia somente quando o ininterrupto crescimento da riqueza social libertar os homens de sua avareza a respeito do minuto suplementar do trabalho e sua humilhante inquietação quanto à quantidade de rações. Quando perder o poder de trazer felicidade e de lançar o homem no vazio, o dinheiro se reduzirá a um meio de contabilidade cômoda para estatística e para o plano. Mas podemos deixar esta questão para os nossos netos que não deixarão de ser mais inteligentes que nós." - Leon Trotsky, "A Revolução Traída", Capítulo IV

Pensamento Chinês - Tempo e Espaço

"O pensamento, erudito ou vulgar, obedece na China uma representação do Espaço e do Tempo que não é puramente empírica. Ela se distingue das impressões de extensão e duração que compõem a experiência individual. É impessoal. Impõe-se com a autoridade de uma categoria. Mas não é como lugares neutros que o Tempo e o Espaço se afiguram aos chineses: eles não têm que abrigar ali conceitos abstratos.

Nenhum filósofo se preocupou em conceber o tempo sob o aspecto de uma duração monótona, constítuida pela sucessão de momentos qualitativamente semelhantes., de acordo com um movimento uniforme. Nenhum viu interesse em considerar o espaço como uma simples extensão resultante da justaposição de elementos homogêneos, como uma extensão da qual todas as partes fossem superponíveis. Todos preferem ver no tempo um conjunto de eras, de estações e épocas, e no espaço, um complexo de domínios, climas e pontos cardeais. Em cada ponto cardeal, a extensão se singulariza e adquire os atributos particulares de um clima ou domínio.

Paralelamente, a duração se diversifica em períodos de naturezas diversas, cada qual revestido das caracteristicas próprias a uma estação ou era. Mas, enquanto duas partes do Espaço podem diferir radicalmente entre si, o mesmo acontecendo com duas porções do Tempo, cada período é solidário a um clima, cada ponto cardeal ligado a uma estação. A toda parte individualizada da duração corresponde a uma porção singular da extensão. Uma mesma natureza lhes pertence em comum, marcada, para ambas, por um conjunto indiviso de atributos." - "O PENSAMENTO CHINÊS", de Marcel Granet

terça-feira, 17 de maio de 2011

Política Externa dos EUA segundo um liberal

"Os americanos se opuseram a uma presença hostil soviética em nosso hemisfério. Entretanto, nunca consideramos como as pessoas no Japão, para ficar com apenas um exemplo, podem se sentir a respeito do grande número de tropas americanas em seu país. De longe, a maior causa de ocorrências criminais em Okinawa e no resto do Japão são as tropas americanas. Mas será que as nossas tropas, nossos aviões, nossos navios e armas nucleares "defendem" o Japão? Contra quem? Não, continuamos a ocupar o país 51 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial com o propósito único de controlar.

Se você quer descobrir o verdadeiro caráter de um homem, esqueça o que ele diz sobre si mesmo, e veja como ele lida com outras pessoas. O mesmo se aplica ao governo. Podemos esquecer suas afirmações; simplesmente observe como ele trata os outros. O estado liberal-clássico é aquele que protege os direitos dos cidadãos comercializarem com povos estrangeiros. Ele não anseia por conflitos externos de qualquer tipo. Ele não demanda, por exemplo, que outros países comprem produtos produzidos por indústrias americanas influentes, da maneira que a Kodak está exigindo, apoiada pelo poderio militar americano, que o Japão compre seus filmes.

Tampouco uma sociedade verdadeiramente liberal envia ajuda governamental para países estrangeiros, suborna, prende ou mata seus regentes, diz a outros governos que tipo de país eles devem ter, ou se envolve em esquemas globais para impor direitos assistencialistas sobre o mundo. Entretanto, essas são atitudes que os EUA têm empreendido como sua política padrão desde os anos 1930. Nossos dirigentes parecem pensar que eles sempre têm que estar subornando alguém, bombardeando alguém, ou ambos. De outra maneira, corremos o risco de cairmos no temível "isolacionismo".

Jonathan Kwitney ilustrou a política externa americana da seguinte maneira: imaginemos que, em intervalos mensais regulares, damos uma volta pelo quarteirão, batendo de porta em porta. Em uma casa, anunciamos para nosso vizinho: "Eu gosto de você, eu aprovo você, aqui estão $1.000". Na próxima casa, fazemos a mesma coisa. Mas na terceira casa, dizemos: "Eu não gosto de você, eu não aprovo você". Então levamos a mão para baixo do casaco, sacamos uma espingarda serrada calibre 12, e o trucidamos, junto com toda sua família.

E assim vamos nós, andando pelo quarteirão, de tempos em tempos, dando dinheiro para alguns, matando outros, e tomando decisões baseadas em interesses que temos naquele momento, sem regras claras." - Lew Rockwell

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O que é comunismo?

Você sabe dizer o que é comunismo? Muitos formulam uma opinião sobre o mesmo sem sequer saber realmente do que se trata, mantendo uma concepção equivocada sobre o que seria este movimento - e nisso incluem-se comunistas que não separam comunismo de suas posições pessoais relativas à política, não sendo incomum as pessoas "estenderem" o comunismo para além do que ele realmente é. Este texto vai esclarecer definitivamente o que é o comunismo, de forma clara e objetiva.

O QUE É COMUNISMO?



Comunismo
vem do latim communis, "comum"(que pertence a todos). O comunismo não é um modelo-pronto, uma utopia, uma receita para uma nova sociedade - foram criada utopias comunistas, ou seja, modelos-prontos de nova sociedade que podem cujo as caracteristicas são provenientes do comunismo. O comunismo é um movimento político e socio-econômico que representa a superação, ultrapassagem do atual estado das coisas. Pode ser considerado o oposto do conservadorismo, pois representa um rompimento com a história passada para a construção de uma nova ordem sob as ruínas da velha. O comunismo pretende fazer essa superação através da abolição da propriedade privada dos meios de produção, ou seja, a grande propriedade das fábricas e das terras que permite que seus donos(os burgueses) possam explorar aqueles que não possuem propriedade(os proletários). Comunismo não quer dizer que a pessoa não pode ter bens pessoais(roupas por exemplo), afinal eles não permitem a exploração da força de trabalho de outro, não são partes importantes da cadeia produtiva(da economia) e não geram lucros para os donos. Diz o Manifesto Comunista que os comunistas podem resumir a sua teoria numa única expressão: supressão da propriedade privada. Apesar dessas considerações acerca da questão da propriedade, existem algumas correntes comunistas-utópicas que pregam a comunidade dos bens(dividir todas as coisas), porém politicamente estas são inexpressivas. Uma determinada tendência intelectual se tornou predominante no movimento comunista a partir da segunda metade do séc. XIX, o marxismo, que veria na sociedade capitalista-industrial desenvolvida a classe proletária como classe com potencial revolucionário, buscando uma abordagem cientifica da sociedade identificando contradições no modo de produção que poderiam levar o capitalismo a ruina, tomando posições segundo as relações materiais mantida entre os homens e não a partir de critérios morais. Concepções como período de transição(até o comunismo), ditadura do proletariado e o socialismo como estágio superior do desenvolvimento das forças produtivas são concepções provenientes do marxismo e que se fazem muito presentes no movimento comunista de uma forma geral.


A partir do ponto que o comunismo defende a supressão da propriedade privada, ele se identifica com os interesses da classe chamada de proletariado, ou seja, a classe cujo o único meio de sustento é venda de sua força de trabalho e por isso são explorados pelos burgueses capitalistas. Considera-se que é do interesse do proletariado, que não possue nada, a socialização dos meios de produção e o uso de seus rendimentos pela sociedade(e não pela burguesia).

"Praticamente, os comunistas constituem, pois, a fração mais resoluta dos partidos operários de cada pais, a fração que impulsiona as demais; teoricamente têm sobre o resto do proletariado a vantagem de uma compreensão nítida das condições, da marcha e dos resultados gerais do movimento proletário. O objetivo imediato dos comunistas é o mesmo que o de todos os demais partidos proletários: constituição dos proletários em classe, derrubada da supremacia burguesa, conquista do poder político pelo proletariado." - Manifesto do Partido Comunista

Neste trecho notamos que o comunismo constitui uma atitude político-ideológica e não uma "receita para nova sociedade", não é uma invenção saida da cabeça de um "iluminado" sem levar em conta a realidade concreta, não é uma utopia, como podemos ver nos seguintes trechos:

“O comunismo não é, para nós(comunistas), um estado estável a ser estabelecido, um ideal ao qual a realidade deverá ajustar-se. Denominamos comunismo ao movimento real para abolir o presente estado das coisas.” – Marx e Engels em A Ideologia Alemã.

"As concepções teóricas dos comunistas não se baseiam, de modo algum, em idéias ou princípios inventados ou descobertos por este ou aquele reformador do mundo. São apenas a expressão geral das condições reais de uma luta de classes existente, de um movimento histórico que se desenvolve sob os nossos olhos. A abolição das relações de propriedade que têm existido até hoje não é uma característica peculiar exclusiva do comunismo. Todas as relações de propriedade têm passado por modificações constantes em conseqüência das continuas transformações das condições históricas. A Revolução Francesa, por exemplo, aboliu a propriedade feudal em proveito da propriedade burguesa. O que caracteriza o comunismo não é a abolição da propriedade geral, mas a abolição da propriedade burguesa." - Manifesto do Partido Comunista

Não há a menor parcela de utopismo em Marx. Ele não inventa, não imagina, já prontinha, uma sociedade “nova”. Não, ele estuda, como um processo de história natural, a gênese da nova sociedade saída da antiga, as formas intermediárias entre uma e outra.” – Lenin em O Estado e a Revolução.

É preciso separar comunismo de qualquer posição que um comunista possa sustentar individualmente. O comunismo não é um "código de vida" ou uma "cosmovisão" que determina tudo em um individuo, é uma "expressão geral das condições reais de uma luta de classes existente", produto de determinadas condições socio-históricas. Uma pessoa mantém uma posição comunista ao mesmo tempo que sustenta outros tipos de posicionamento - o comunismo não é um manual. Comunistas podem sustentar posições diferentes, inclusive de como agir políticamente. O comunismo de um muitas vezes é o anticomunismo de outro. O fato dos cubanos conciliarem o seu comunismo com certos valores não impede que os coreanos conciliem o seu com outros completamente diferentes. Assim como nada impede que os russos desenvolvam sejam comunistas sob os sovietes e os cubanos sob os moldes das instituições tradicionais da democracia liberal.  O comunismo não é uma religião com "grande propósito final" ou "dogmas eternos" e sim um produto das contradições do capitalismo(proletariado x burguesia, capital privado x produção social, desenvolvimento das forças produtivas x modo de produção).

O comunismo não prega a igualdade absoluta, seu discurso sobre a igualdade se limita a igualdade em relação aos meios de produção(fim das classes). O marxismo fez uma dura crítica a igualdade como postulado. Comunismo é socialização e não igualitarismo.

"Têm-nos censurado, a nós, comunistas, de que quereríamos abolir a propriedade adquirida pessoalmente, fruto do trabalho próprio — a propriedade que formaria a base de toda a liberdade, atividade e autonomia pessoais.
Mas será que o trabalho assalariado, o trabalho do proletário, lhe cria propriedade? De modo nenhum. Cria o capital, isto é, a propriedade que explora o trabalho assalariado, que só pode multiplicar-se na condição de gerar novo trabalho assalariado para de novo o explorar. A propriedade, na sua forma atual, move-se na oposição de capital e trabalho assalariado. Consideremos ambos os lados desta oposição.
Ser capitalista significa ocupar na produção uma posição não só puramente pessoal, mas social. O capital é um produto comunitário e pode apenas ser posto em movimento por uma atividade comum de muitos membros, em última instância apenas pela atividade comum de todos os membros da sociedade.
O capital não é, portanto, um poder pessoal, é um poder social.
Se, portanto, o capital é transformado em propriedade comunitária, pertencente a todos os membros da sociedade, a propriedade pessoal não se transforma então em propriedade social. Só se transforma o caráter social da propriedade. Perde o seu caráter de classe. (....) De modo nenhum queremos abolir ea apropriação pessoal dos produtos de trabalho para a nova geração da vida imediata — uma apropriação que não deixa nenhum provento líquido capaz de conferir poder sobre trabalho alheio. Queremos suprimir apenas o caráter miserável desta apropriação, em que o operário só vive para multiplicar o capital, só vive na medida em que o exige o interesse da classe dominante. " - Manifesto do Partido Comunista

O comunismo não retira a ninguém o poder de apropriar-se de sua parte dos produtos sociais, ele representa a reinvidicação do proletariado pela sua própria participação naquilo que ele produziu.

Resumindo: o comunismo é um movimento pela supressão da propriedade privada e pelo fim da ordem burguesa em prol do estabelecimento de uma nova ordem social sem classes onde os meios de produção serão públicos.

(rascunho) COMUNISMO NO SÉCULO XX

O movimento comunista no século XX foi praticamente determinado pela interpretação do marxismo de Vladmir Ilitch Lenin propagada por Stálin e pela III Internacional, o marxismo-leninismo. As experiências se caracterizaram por uma série de contradições:

- A Revolução não se espalhou a nível mundial, só conseguiu se expandir em alguns elos fracos do capitalismo internacional. Ou seja, esses países não estavam vinculado ao máximo de desenvolvimento das forças produtivas, e sim ao subdesenvolvimento das mesmas.
- O isolamento frente ao cerco internacional gerou tendências centralizantes no seio desses países.

CIÊNCIA E DARWINISMO

O COMUNISMO E A TRADIÇÃO (judaica cristã e pagã)

MORALIDADE X CIÊNCIA

domingo, 15 de maio de 2011

O Poder da Imprensa, por Oswald Spengler


"(...) a palavra imprensa, lançada em grandes tiragens e divulgada através de regiões ilimitadas, transformou-se numa arma sinistra nas mãos de quem soubesse manejá-la. A campanha de imprensa surge como continuação - ou preparo - de uma guerra a ser travada com outros meios. Sua estratégia de combates de vanguarda, manobras fictícias, assaltos de surpresa, ataques em massa, foi, no decorrer do século XIX, aperfeiçoada a tal ponto que uma guerra já pode estar perdida, antes de disparar-se o primeiro tiro, porque a imprensa já a ganhou anteriormente.

Hoje vivemos entregues, sem resistência, à ação dessa artilharia espiritual, de maneira que poucos são os que podem manter a distância interior suficiente para perceberem com toda a clareza a monstruosidade inerente a esse espetáculo. Três semanas de atividade periodística, e toda a gente terá reconhecido a verdade. Seus argumentos serão irrefutáveis, enquanto houver o dinheiro necessário para repetí-lo ininterruptamente. Mas ficarão rebatidos, quando uma potência financeira mais forte apoiar os contra-argumentos e os oferecer com maior frequência aos olhos do mundo inteiro. Também nesse ponto triunfa o dinheiro, pondo a seu serviço os espíritos livres. Não há sátira mais cruel contra a liberdade de pensamento. Outrora, não era lícito pensar livremente; agora temos tal direito, porém somos incapazes de exercê-lo. Pensa-se tão-somente o que se deve querer, precisamente isso se nos afigura hoje em dia como a nossa liberdade." -
Oswald Spengler em "A Decadência do Ocidente"

sexta-feira, 13 de maio de 2011

O Mensalão da Casa Branca

O mensalão da Casa Branca: Americanos receberam milhões para manter o embargo em Cuba

MADRI - Quase 400 legisladores e candidatos americanos receberam, desde 20040 cerca de US$ 11 milhões de "mecenas" partidários pela manutenção do embargo e qualquer medida restritiva contra Cuba, segundo aponta um informe da organização independente Public Campaign. De acordo com o jornal espanhol El País, entre os congressistas que receberam dinheiro está o ex-candidato à Presidência dos EUA John McCain.

O grupo, que defende o financiamento público de campanhas, afirma que três congressistas republicanos da Flórida, profundos defensores de uma política mais dura contra o regime cubano, encabeçam a lista. A organização diz ainda que é significativo o número de doações para democratas, especialmente depois que o partido conquistou o controle das Câmaras, em 2006.

Entre os membros da bancada cubano-americana no Congresso, o deputado Lincoln Diaz-Balart, segundo a organização, recebeu US$ 366.964; seu irmão, Mario, US$ 364.176, e Ileana Ross-Lehtinen, US$ 240.050. O senador McCain teria recebido US$ 183.415. O senador democrata de origem cubana Bob Menendez ganhou US$ 165.800. Curiosamente, os maiores beneficiários da lista, exceto o senador independente Joseph Lieberman, são democratas, entre eles quatro representantes da Flórida.

Segundo o jornal, o comitê de ação política do grupo US-Cuba Democracy, fundado em 2003, é o canalizador do dinheiro repassado. Seu diretor, Mauricio Claver-Carone, defende o direito constitucional e democrático de apoiar legisladores com afinidades em comum, assim como fazem os sindicatos, a Câmara de Comércio e o Comitê de Assuntos Públicos EUA-Israel, por exemplo. O informe da Public Campaign mostra que ao menos 18 legisladores mudaram de opinião sobre Cuba após receber as doações.

David Donnelly, diretor da Public Campaign, afirmou ao El País que o sistema de doações é uma "armadilha". "São boas pessoas presas em um sistema. Se os legisladores têm que dedicar muito tempo para arrecadar dinheiro (para campanha), não haverá remédio senão ouvir aqueles que fazem doações. Porém, a realidade é que parece existir uma clara diferença entre o que as pessoas querem e o que alguns políticos defendem no Congresso."

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,americanos-receberam-milhoes-para-manter-embargo-cubano,467748,0.htm

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Bin Laden está morto?

Segundo a seguinte matéria, sim, porém há muito tempo, como mostram as evidências.

"Osama Bin Laden morreu a 16 de dezembro de 2001 no Afeganistão, provavelmente de problemas renais e hepáticos que o atormentavam há anos. Ele tinha hepatite C e tinha que ser internado freqüentemente para se submeter a uma hemodiálise.



Última foto de Osama Bin Laden


Sua última foto, tirada a 6 de dezembro de 2001, mostra um homem bastante envelhecido por uma grave enfermidade. Segundo os especialistas da CIA, Bin Laden precisava naquela época de uma hemodiálise a cada três dias e eles disseram: “Claro que é muito difícil quando precisa-se fugir de um local para outro e ainda, como seria possível por em operação um equipamento transportável pelos seus esconderijos nas montanhas?”. Para comparação, uma foto da época, quando ele ainda estava saudável.



Osama Bin Laden


Há muitas provas e indícios que apontam para o fato de Bin Laden já estar morto há muito tempo. A seguir o relato sobre seu enterro, publicado a 26 de dezembro de 2001 em um jornal egípcio.


Aqui a tradução:


“al-Wafs, quarta-feira, 26 de dezembro de 2001, Vol 15 Nº 4633, notícia sobre a morte de Bin Laden e enterro há 10 dias. Islamabad-Paquistão. Um importante oficial do movimento afegão Talibã anunciou ontem a morte de Osama Bin Laden, o líder da organização Al-Qaeda. Ele disse, Bin Laden sofre graves complicações no pulmão e faleceu serenamente de morte natural. O oficial, que exigiu o anonimato, disse ao jornal ´The Observer of Pakistan`, que ele próprio estava presente ao enterro e ele tinha olhado sua face antes do enterro em Tora Borá, há 10 dias. Ele disse que 30 companheiros de sua Al-Qaeda estavam no enterro, assim como membros de sua família e alguns amigos do Talibã. Na cerimônia de encerramento para o descanso final, foi realizada uma salva de tiros. O oficial ainda disse que seria difícil achar o local exato da cova, pois de acordo com a tradição wahhabista nenhuma marcação indica o local. Ele salienta, seria improvável que os militares americanos encontrassem um dia apenas uma única pista de Bin Laden.



Artigo sobre a morte de Bin Laden


Que Bin Laden estava muito enfermo e necessitava constantemente de tratamento e hemodiálise, isso é mostrado em diversos artigos sobre diversas estadias em hospitais durante seu último ano de vida. Por exemplo, a 4 de julho de 2001, Bin Laden foi tratado no hospital norte-americano de Dubai com medidas emergenciais e com um aparelho de hemodiálise (Guardian). Durante este tratamento, ele recebeu no hospital a visita do chefe local da CIA e eles conversaram amistosamente. Afinal, Bin Laden fora um agente da CIA na guerra contra os soviéticos no Afeganistão e operou sob o codinome “Tim Osman”.


Justamente um dia antes do 11 de setembro de 2001, Bin Laden foi ao hospital militar em Rawalpindi Pakistan, para se submeter a uma diálise. Soldados paquistaneses escortavam Bin Laden e substituíram os funcionários da clínica por pessoas de confiança (CBS). Não é interessante que justamente no dia do grande ataque terrorista contra a América do Norte, Bin Laden estivesse sob custódia dos militares paquistaneses e justamente na semana anterior e na semana posterior, o chefe do serviço secreto paquistanês ISI, General Mahmood Ahmed, esteve em Washington e conversou no Pentágono com o National Security Council, depois com o diretor da CIA Tenet, com pessoas da Casa Branca e com Marc Grossman, Vice-Secretário de Estado para assuntos políticos (Karachi news).


Isso significa que todas as partes sabiam onde Bin Laden se encontrava, e caso os norte-americanos realmente fossem da opinião que Bin Laden era o autor dos ataques, então ele seria entregue sem resistência e eles poderiam tê-lo prendido imediatamente no leito do hospital. Mas nada parecido aconteceu. Eles deixaram-no voltar para o Afeganistão após seu tratamento, aonde então veio a falecer algumas semanas mais tarde.


Este comportamento prova para qualquer pessoa normal que Bin Laden nada tem a ver com o 11 de setembro e ainda prova que eles criaram na mídia mundial um bode-expiatório como organizador dos ataques e super-terrorista. Tudo isso é uma gigantesca mentira.


A 17 de setembro de 2001, a emissora de TV Al Jazeera publicou uma notícia de Bin Laden, onde ele disse que ele nada tinha a ver com o 11 de setembro: “O governo dos EUA me culpa continuamente por cada um dos ataques. Eu gostaria de assegurar ao mundo, eu não planejei estes ataques, que parecem ter sido planejados por outras pessoas por motivos pessoais. Eu vivo no emirado islâmico Afeganistão e sigo as regras de seus governantes. Os governantes atuais não me permitem executar tal operação”. (CNN)


Outra prova que Bin Laden nada tem a ver com o 11/9, é a notícia que Bin Laden alugou um avião, o qual levou para fora do país todos os membros de sua família reunidos por todo os EUA, apenas alguns dias depois dos ataques em Nova York, a 19 de setembro de 2001. Embora houvesse neste momento uma completa proibição para trânsito aéreo nos EUA, este vôo foi autorizado expressamente pela Casa Branca. Nenhum membro da família de Bin Laden ou outros cidadãos sauditas foram interrogados ou controlados antes da decolagem.


O governo norte-americano afirma que 17 dos 19 terroristas são originários da Arábia Saudita e justamente quando cidadãos deste país queriam deixar os EUA e ainda pertenciam à família Bin Laden, eles tiveram a permissão expressa de Bush para partir com este avião. (PDO)


A 12 de setembro de 2001, o embaixador do Talibã no Afeganistão declarou a respeito de Bin Laden: “Caso as provas nos sejam apresentadas, então nós iremos apurá-las. Então nós iremos discutir uma extradição”. (The Hindu) Alguns dias depois, o embaixador disse ainda: “Nossa posição é esta, se os EUA têm provas, nós estamos dispostos a levar Bin Laden aos tribunais segundo estas provas”. (CBS) Estas provas nunca foram disponibilizadas pelo governo dos EUA.


A 23 de setembro de 2001, o então ministro do exterior norte-americano, Colin Powell se contradisse em tom bem marcante, o governo iria publicar em breve os documentos das forças de segurança que provariam a culpa de Bin Laden. (Seattle) Estas provas nunca foram apresentadas, seis anos após os atentados, e o mundo espera ainda hoje por elas.


A última emissão para seus comandados no Afeganistão foi anunciada pelo serviço secreto norte-americano a 15 de dezembro de 2001. Desde então ninguém ouviu sua voz em algum rádio ou telefone, embora toda comunicação do mundo seja vigiada pela NSA. Se ele ainda vivesse, então ele teria que se comunicar por algum meio e então teria sido detectado (Telegraph).


Este também é o motivo do porquê o FBI não colocá-lo na lista de procurados. Questionado por que ele não é procurado pelo FBI por causa do 11/9, veio a resposta: “Nós não temos qualquer prova que Bin Laden tenha algo a ver com o 11 de setembro”. Veja aqui meu artigo sobre isso.


Mas eles não apenas não têm qualquer prova de sua autoria, como eles sabem também que ele morreu, por que eles devem então procurá-lo. Além disso, não é possível que o maior serviço secreto do mundo, a CIA, NSA etc, com seus recursos ilimitados e um orçamento acima de 50 bilhões de dólares anuais e, sobretudo, os demais serviços secretos aliados por todo o globo, assim como todo o aparato militar norte-americano com centenas de milhares de soldados que vasculharam cada quilômetro quadrado do Afeganistão, e todos aos quais for prometido a recompensa de 25 milhões de dólares, não estejam na condição de encontrar Bin Laden nestes lendários seis anos. Não se trata aqui de um fracasso total, caso contrário o presidente teria que demitir todo serviço secreto e comando militar por incompetência, e não é porque Bin Laden seja tão esperto e se esconde bem, mas eles não o encontram, pois Bin Laden já está morto há um longo tempo - e eles sabem disso.


Uma pequena piada en passant, 25 milhões parece ser muita coisa para Bin Laden, mas a transferência do jogador de Baseball Alex Rodriguez custou cerca de 252 milhões em 2001.


Tudo isso é um grande teatro e um show para manter a opinião pública na órbita de mal artificial. Se ele for declarado oficialmente como falecido, então desaba todo o castelo de cartas e o motivo da “Guerra contra o Terror”. Eles não teriam mais um inimigo contra o qual poderiam combater, que torne possível fazer guerra, suprimir a liberdade dos cidadãos, reforçar o Estado policial, garantir seus gigantescos orçamentos e possibilitar um enorme lucro aos conglomerados armamentistas. As medidas bélicas e de segurança são os maiores negócios que existem, ou seja, o “Terror” nunca pode parar, nunca pode haver paz, deve ser mantida a crença neste fantasma o máximo possível.


Também não é digno de nota, que o presidente Bush tenha dito sobre Bin Laden em uma entrevista à imprensa, a 13 de março de 2001, perguntado por jornalistas: “Eu não sei onde ele está. E para ser sincero, eu não tenho qualquer interesse nele”, ou seja, a procura por ele é irrelevante. (WH) Está claro também, quem iria se interessar por alguém que já morreu e o verdadeiro objetivo era mesmo preparar a invasão do Iraque, esta criminosa guerra de agressão com motivos inventados (SPIN) ao povo americano, embora ele tenha admitido que nem Saddam Hussein tenha algo com o 11 de setembro, nem exista qualquer ligação de Saddam com Bin Laden. (BBC)


Bin Laden e sua suposta rede de terror Al-Qaeda sempre são lembrados na ocasião oportuna por Bush, Blair e todos políticos europeus, quando eles querem colocar as pessoas em um estado de medo e pânico, quando eles querem novamente nos restringir a liberdade.


Seguem algumas frases de pessoas que confirmam a morte de Bin Laden:


O presidente paquistanês Musharraf: “Eu acredito que muito provavelmente Bin Laden está morto, pois ele não poderia ser continuamente tratado de sua insuficiência renal”. (CNN)


O presidente afegão Karsai: “Osama Bin Laden está provavelmente morto, mas o antigo chefe talibã Mullah Omar está ainda vivo”. (CNN)


O diretor do departamento anti-terror do FBI, Dale Watson: “Eu acredito que Bin Laden esteja morto”. (BBC)


O chefe-redator da londrina Arab News Magazine: “Nós publicamos o último desejo de Bin Laden que foi escrito no final de 2001 e mostrá-lo deitado prestes a morrer ou já morto”. (CNN)


O serviço secreto israelense: “Nós não vemos Bin Laden como um perigo e ele não está em nossa lista” (Janes) e ainda “Bin Laden morreu provavelmente na ocasião dos ataques dos norte-americanos em dezembro de 2001. O aparecimento de novas notícias e fotos são provavelmente uma fabricação”.


A CIA anunciou a 3 de julho de 2006, segundo o New York Times, que ela dispensou o departamento que se ocupava com Bin Laden. A missão da unidade denominada “Alec Station” foi encerrada no último ano e os agentes incumbidos com novas missões na luta contra o terror.


Vídeo falso de Bin Laden


Nos últimos anos apareceram alguns vídeos de Bin Laden, mas foram desvendados pelos especialistas como falsificações. Na verdade nem é preciso ser um perito para ver imediatamente que trata-se de um ator que representa Bin Laden. Estes vídeos aparecem justamente quando a população norte-americana está diante de alguma decisão importante.


É assim que três dias antes das eleições para presidente a 30 de outubro de 2004, apareceu um vídeo desta natureza. (BBC) Quem se aproveitou da mensagem terrorista do falso Bin Laden, colocando medo nos eleitores. Bush naturalmente, ele foi eleito!



O “novo” Bin Laden


À esquerda vemos o verdadeiro Bin Laden e à direita, o falso, que nos é mostrado em vídeos desde 2002. A diferença é tamanha que qualquer comentário adicional é supérfluo.

Novas declarações sobre a morte de Bin Laden! A 2 de novembro de 2007, o conhecido jornalista britânico David Frost entrevistou na TV Al-Jazeera a antiga chefe de governo e líder da oposição do Paquistão, Benazir Bhutto, que há pouco tempo foi assassinada por um disparo de pistola pelas costas. A senhora Bhutto faz uma declaração nesta oportunidade que confirma meu artigo acima até momento.Ela disse, Osama Bin Laden está morto, e foi assassinado por Ahmed Omar Saeed Sheik. Esta declaração de uma pessoa que possui informações do serviço secreto confirma que Bin Laden já está morto há muito tempo e os políticos do ocidente, como Bush e Schäuble, o mantêm vivo artificialmente como fantasma, como imagem do inimigo e vigarista, para justificar suas medidas anti-terror e guerras.

Se ele morreu agora de sua deficiência renal, como os membros do talibã dizem, para transformá-lo em herói, ou ele foi assassinado pelos seus próprios companheiros, não tem importância. Importante é que ele está morto e já faz muito tempo.

Aliás, esta sensacional declaração de Bhutto, que revela a farsa desta “Guerra contra o Terror”, foi completamente boicotada pela mídia do Ocidente e este trecho da entrevista foi cortado. Com isso está provado que a grande mídia é cúmplice na propagação da mentira sobre Bin Laden e seu papel como líder terrorista. Ele não existe mais e todas suas mensagens, que sempre aparecem de tempos em tempos, são falsificações!

http://www.youtube.com/watch?v=UnychOXj9Tg&feature=player_embedded#at=17

A 2 de outubro de 2008, o antigo diretor da CIA, Robert Baer declarou a uma rádio: “Mas é claro que Bin Laden está morto!”

O presidente paquistanês Asif Ali Zardafi declarou a 27 de abril de 2007 sobre Bin Laden: “Nosso reconhecimento acredita que ele esteja morto”. (Ria Novosti) Professor David Ray Griffin apresenta minuciosamente em seu livro “Osama Bin Laden: Dead or alive?”, que Bin Laden está morto desde dezembro de 2001. Até o Bild Zeitung reportou a esse respeito.

Alles Schall und Rauch, 25 de maio de 2007."

Retirado de: http://www.inacreditavel.com.br/

domingo, 1 de maio de 2011

"Viva o Primeiro de Maio", por Josef Stálin


Camaradas,

Já no século passado(**) os trabalhadores de todos os países resolveram celebrar anualmente este dia, o Primeiro de Maio. Isso foi em 1889, quando, no Congresso de Socialistas de Todos os Países, realizado em Paris, os trabalhadores resolveram proclamar, precisamente neste dia, primeiro de maio, quando a natureza está acordando de seu sono de inverno, quando as matas e morros estão vestindo seus mantos verdes e os campos e os prados estão adornando-se com flores,quando o sol brilha mais calorosamente, quando a alegria do renascimento enche o ar e a natureza se entrega à dança e à alegria - eles resolveram proclamar, abertamente e em alta voz a todo o mundo, precisamente neste dia, que os trabalhadores estão trazendo a primavera à humanidade e sua libertação das correntes do capitalismo, que essa é a missão dos trabalhadores, de renovar o mundo com base na liberdade e no socialismo.

Toda classe tem seus próprios festivais. A nobreza introduziu seus festivais, e neles proclama seu "direito" de roubar os camponeses. A burguesia tem os seus festivais e em suas datas "justificam" seu "direito" de explorar os trabalhadores. O clero também tem seus festivais, e neles elogia o sistema existente sob o qual os trabalhadores morrem na pobreza enquanto os ociosos nadam na luxúria.

Os trabalhadores, também, precisam ter seus festivais, e neles devem proclamar: trabalho universal, liberdade universal, igualdade universal de todos os homens. Este festival é o Primeiro de Maio.

É isso o que os trabalhadores resolveram fazer já naquela data, em 1889.

Desde então o grito de guerra dos trabalhadores pelo socialismo tem ecoado cada vez mais alto nos encontros e passeatas no primeiro de maio. O oceano do movimento operário se expande mais e mais, se espalhando para novos países e estados, da Europa e da América à Ásia, África e Austrália. No curso de apenas algumas décadas, a previamente débil associação internacional dos trabalhadores se tornou uma poderosa irmandade internacional, que mantem congressos regulares e une milhões de trabalhadores em todas as partes do mundo. O mar de fúria proletária está subindo em ondas gigantescas, e avança cada vez mais ameaçadoramente contra as cidadelas cambaleantes do capitalismo. A grande greve dos mineiros recentemente deflagrada na Grã-Bretanha, na Alemanha, na Bélgica, na América, etc, uma greve que colocou medo nos corações dos exploradores e dos governantes de todo o mundo, é um claro sinal de que a revolução socialista não está distante...

"Nós não adoramos o bezerro de ouro!" Nós não queremos o reino da burguesia e dos opressores! Condenação e morte ao capitalismo e seus horrores da pobreza e derramamento de sangue! Viva o reino do trabalho, viva o socialismo!

Isso é o que os operários conscientes de todos os países proclamam neste dia.

E confiantes na vitória, serenos e fortes, eles marcham orgulhosamente ao longo da estrada para a terra prometida, rumo ao glorioso socialismo, passo a passo levando a cabo o grande chamado de Karl Marx: "Trabalhadores de todos os países, uni-vos!"

É assim que os trabalhadores nos países livres celebram o primeiro de maio.

Vamos, então, estender nossas mãos a nossos camaradas em todo o mundo e junto com eles proclamar:

- Abaixo o capitalismo!
- Viva o socialismo!


J. V. Stalin


NOTAS

*Este panfleto, intitulado "Viva o primeiro de maio!", foi escrito por J. V. Stalin em Moscou, no início de abril de 1912. Foi impresso clandestinamente numa gráfica legal em Tiflis e todas as cópias foram subsequentemente enviadas para São Petersburgo.

** Se refere ao século XIX.


(Este texto se encontra no volume II das Obras Completas de Stalin, em inglês. Seleção de trechos e tradução para o português de Glauber Ataide.)

Retirado de: http://comunidadestalin.blogspot.com/

O Testamento de Kadafi


"Em nome de Alá, o benevolente, o misericordioso...

Por 40 anos, ou foi mais, eu não me lembro, eu fiz tudo que pude para dar ao povo casas, hospitais, escolas, e quando ele estava faminto, eu lhes dei comida. Eu até mesmo transformei Benghazi em terra arável a partir do deserto, eu resisti aos ataques daquele cowboy Reagan, quando ele matou a minha filha adotiva órfã, quando estava tentando me matar, e ao invés matou aquela pobre criança inocente. Então eu ajudei meus irmãos e irmãs da África com dinheiro para a União Africana.

Eu fiz tudo o que pude para ajudar o povo a compreender o conceito de democracia real, no qual comitês populares governam nosso país. Mas isso nunca foi o bastante, como alguns me disseram, até pessoas que tinham casas com 10 cômodos, ternos e móveis novos, jamais estavam satisfeitos, egoístas que são e queriam mais. Eles diziam aos americanos e a outros visitantes, que eles precisavam de "democracia" e "liberdade" jamais percebendo que este é um sistema suicida, no qual o cachorro maior come os outros, mas eles estavam encantados com aquelas palavras, jamais percebendo que na América não havia medicina gratuita, hospitais gratuitos, casas gratuitas, educação gratuita e alimentação gratuita, a não ser quando as pessoas tem que mendigar ou entrar em longas filas para ganhar sopa.

Não, não importava o que eu fizesse, jamais era o bastante para alguns, mas para os outros, eles sabiam que eu era o filho de Gamal Abdel Nasser, o único verdadeiro árabe e líder muçulmano que tivemos desde Salah-al-Deen, quando ele clamou o Canal de Suez para seu povo, como eu clamei a Líbia, para meu povo, foi suas pegadas que eu tentei seguir, para manter meu povo livre da dominação colonial - de ladrões que nos queriam roubar.

Agora, eu estou sob o ataque da maior potência militar da história, meu pequeno filho africano, Obama, quer me matar, para roubar a liberdade de nosso país, para roubar nossas casas gratuitas, nossa medicina gratuita, nossa educação gratuita e nossa alimentação gratuita, para substituir pela roubalheira americana, chamada "capitalismo", mas todos nós no Terceiro Mundo sabemos o que isso significa, quer dizer que Corporações governam os países, governam o mundo, e as pessoas sofrem. Então, não há alternativa para mim, eu devo resistir, e se Alá desejar, eu morrerei seguindo Seu caminho, o caminho que tornou nosso país rico com terra arável, com comida e saúde, e até mesmo nos permitiu ajudar nossos irmãos e irmãs árabes e africanos para trabalhar aqui conosco, na Jamahiriya líbia.

Eu não quero morrer, mas se chegar a isso, para salvar essa terra, meu povo, todos os milhares que são minhas crianças, então que assim seja.

Que esse testamento seja minha voz para o mundo, que eu resisti aos ataques dos cruzados da OTAN, resisti à crueldade, resisti à traição, resisti ao Ocidente e suas ambições colonialistas, e que eu resisti com meus irmãos africanos, meus verdadeiros irmãos árabes e muçulmanos, como um raio de luz. Quando outros estavam construindo castelos, eu vivi em uma casa modesta, e em uma tenda. Eu nunca esqueci minha juventude em Sirte, eu não gastei nosso tesouro nacional tolamente, e como Salah-al-Deen, nosso grande líder muçulmano, que resgatou Jerusalém para o Islã, eu peguei pouco para mim mesmo...

No Ocidente, alguns me chamaram "insano", "louco", mas eles sabem a verdade porém continuam a mentir, eles sabem que nossa terra é independente e livre, e que não está sob o jugo colonial, que minha visão, meu caminho, é, e tem sido claro e pelo meu povo e que eu vou lutar até meu último suspiro para nos manter livres, e que Alá Todo-Poderoso possa nos ajudar a permanecer fiéis e livres."

Coronel Muammar al-Kadafi, 05/04/2011