segunda-feira, 16 de maio de 2011

O que é comunismo?

Você sabe dizer o que é comunismo? Muitos formulam uma opinião sobre o mesmo sem sequer saber realmente do que se trata, mantendo uma concepção equivocada sobre o que seria este movimento - e nisso incluem-se comunistas que não separam comunismo de suas posições pessoais relativas à política, não sendo incomum as pessoas "estenderem" o comunismo para além do que ele realmente é. Este texto vai esclarecer definitivamente o que é o comunismo, de forma clara e objetiva.

O QUE É COMUNISMO?



Comunismo
vem do latim communis, "comum"(que pertence a todos). O comunismo não é um modelo-pronto, uma utopia, uma receita para uma nova sociedade - foram criada utopias comunistas, ou seja, modelos-prontos de nova sociedade que podem cujo as caracteristicas são provenientes do comunismo. O comunismo é um movimento político e socio-econômico que representa a superação, ultrapassagem do atual estado das coisas. Pode ser considerado o oposto do conservadorismo, pois representa um rompimento com a história passada para a construção de uma nova ordem sob as ruínas da velha. O comunismo pretende fazer essa superação através da abolição da propriedade privada dos meios de produção, ou seja, a grande propriedade das fábricas e das terras que permite que seus donos(os burgueses) possam explorar aqueles que não possuem propriedade(os proletários). Comunismo não quer dizer que a pessoa não pode ter bens pessoais(roupas por exemplo), afinal eles não permitem a exploração da força de trabalho de outro, não são partes importantes da cadeia produtiva(da economia) e não geram lucros para os donos. Diz o Manifesto Comunista que os comunistas podem resumir a sua teoria numa única expressão: supressão da propriedade privada. Apesar dessas considerações acerca da questão da propriedade, existem algumas correntes comunistas-utópicas que pregam a comunidade dos bens(dividir todas as coisas), porém politicamente estas são inexpressivas. Uma determinada tendência intelectual se tornou predominante no movimento comunista a partir da segunda metade do séc. XIX, o marxismo, que veria na sociedade capitalista-industrial desenvolvida a classe proletária como classe com potencial revolucionário, buscando uma abordagem cientifica da sociedade identificando contradições no modo de produção que poderiam levar o capitalismo a ruina, tomando posições segundo as relações materiais mantida entre os homens e não a partir de critérios morais. Concepções como período de transição(até o comunismo), ditadura do proletariado e o socialismo como estágio superior do desenvolvimento das forças produtivas são concepções provenientes do marxismo e que se fazem muito presentes no movimento comunista de uma forma geral.


A partir do ponto que o comunismo defende a supressão da propriedade privada, ele se identifica com os interesses da classe chamada de proletariado, ou seja, a classe cujo o único meio de sustento é venda de sua força de trabalho e por isso são explorados pelos burgueses capitalistas. Considera-se que é do interesse do proletariado, que não possue nada, a socialização dos meios de produção e o uso de seus rendimentos pela sociedade(e não pela burguesia).

"Praticamente, os comunistas constituem, pois, a fração mais resoluta dos partidos operários de cada pais, a fração que impulsiona as demais; teoricamente têm sobre o resto do proletariado a vantagem de uma compreensão nítida das condições, da marcha e dos resultados gerais do movimento proletário. O objetivo imediato dos comunistas é o mesmo que o de todos os demais partidos proletários: constituição dos proletários em classe, derrubada da supremacia burguesa, conquista do poder político pelo proletariado." - Manifesto do Partido Comunista

Neste trecho notamos que o comunismo constitui uma atitude político-ideológica e não uma "receita para nova sociedade", não é uma invenção saida da cabeça de um "iluminado" sem levar em conta a realidade concreta, não é uma utopia, como podemos ver nos seguintes trechos:

“O comunismo não é, para nós(comunistas), um estado estável a ser estabelecido, um ideal ao qual a realidade deverá ajustar-se. Denominamos comunismo ao movimento real para abolir o presente estado das coisas.” – Marx e Engels em A Ideologia Alemã.

"As concepções teóricas dos comunistas não se baseiam, de modo algum, em idéias ou princípios inventados ou descobertos por este ou aquele reformador do mundo. São apenas a expressão geral das condições reais de uma luta de classes existente, de um movimento histórico que se desenvolve sob os nossos olhos. A abolição das relações de propriedade que têm existido até hoje não é uma característica peculiar exclusiva do comunismo. Todas as relações de propriedade têm passado por modificações constantes em conseqüência das continuas transformações das condições históricas. A Revolução Francesa, por exemplo, aboliu a propriedade feudal em proveito da propriedade burguesa. O que caracteriza o comunismo não é a abolição da propriedade geral, mas a abolição da propriedade burguesa." - Manifesto do Partido Comunista

Não há a menor parcela de utopismo em Marx. Ele não inventa, não imagina, já prontinha, uma sociedade “nova”. Não, ele estuda, como um processo de história natural, a gênese da nova sociedade saída da antiga, as formas intermediárias entre uma e outra.” – Lenin em O Estado e a Revolução.

É preciso separar comunismo de qualquer posição que um comunista possa sustentar individualmente. O comunismo não é um "código de vida" ou uma "cosmovisão" que determina tudo em um individuo, é uma "expressão geral das condições reais de uma luta de classes existente", produto de determinadas condições socio-históricas. Uma pessoa mantém uma posição comunista ao mesmo tempo que sustenta outros tipos de posicionamento - o comunismo não é um manual. Comunistas podem sustentar posições diferentes, inclusive de como agir políticamente. O comunismo de um muitas vezes é o anticomunismo de outro. O fato dos cubanos conciliarem o seu comunismo com certos valores não impede que os coreanos conciliem o seu com outros completamente diferentes. Assim como nada impede que os russos desenvolvam sejam comunistas sob os sovietes e os cubanos sob os moldes das instituições tradicionais da democracia liberal.  O comunismo não é uma religião com "grande propósito final" ou "dogmas eternos" e sim um produto das contradições do capitalismo(proletariado x burguesia, capital privado x produção social, desenvolvimento das forças produtivas x modo de produção).

O comunismo não prega a igualdade absoluta, seu discurso sobre a igualdade se limita a igualdade em relação aos meios de produção(fim das classes). O marxismo fez uma dura crítica a igualdade como postulado. Comunismo é socialização e não igualitarismo.

"Têm-nos censurado, a nós, comunistas, de que quereríamos abolir a propriedade adquirida pessoalmente, fruto do trabalho próprio — a propriedade que formaria a base de toda a liberdade, atividade e autonomia pessoais.
Mas será que o trabalho assalariado, o trabalho do proletário, lhe cria propriedade? De modo nenhum. Cria o capital, isto é, a propriedade que explora o trabalho assalariado, que só pode multiplicar-se na condição de gerar novo trabalho assalariado para de novo o explorar. A propriedade, na sua forma atual, move-se na oposição de capital e trabalho assalariado. Consideremos ambos os lados desta oposição.
Ser capitalista significa ocupar na produção uma posição não só puramente pessoal, mas social. O capital é um produto comunitário e pode apenas ser posto em movimento por uma atividade comum de muitos membros, em última instância apenas pela atividade comum de todos os membros da sociedade.
O capital não é, portanto, um poder pessoal, é um poder social.
Se, portanto, o capital é transformado em propriedade comunitária, pertencente a todos os membros da sociedade, a propriedade pessoal não se transforma então em propriedade social. Só se transforma o caráter social da propriedade. Perde o seu caráter de classe. (....) De modo nenhum queremos abolir ea apropriação pessoal dos produtos de trabalho para a nova geração da vida imediata — uma apropriação que não deixa nenhum provento líquido capaz de conferir poder sobre trabalho alheio. Queremos suprimir apenas o caráter miserável desta apropriação, em que o operário só vive para multiplicar o capital, só vive na medida em que o exige o interesse da classe dominante. " - Manifesto do Partido Comunista

O comunismo não retira a ninguém o poder de apropriar-se de sua parte dos produtos sociais, ele representa a reinvidicação do proletariado pela sua própria participação naquilo que ele produziu.

Resumindo: o comunismo é um movimento pela supressão da propriedade privada e pelo fim da ordem burguesa em prol do estabelecimento de uma nova ordem social sem classes onde os meios de produção serão públicos.

(rascunho) COMUNISMO NO SÉCULO XX

O movimento comunista no século XX foi praticamente determinado pela interpretação do marxismo de Vladmir Ilitch Lenin propagada por Stálin e pela III Internacional, o marxismo-leninismo. As experiências se caracterizaram por uma série de contradições:

- A Revolução não se espalhou a nível mundial, só conseguiu se expandir em alguns elos fracos do capitalismo internacional. Ou seja, esses países não estavam vinculado ao máximo de desenvolvimento das forças produtivas, e sim ao subdesenvolvimento das mesmas.
- O isolamento frente ao cerco internacional gerou tendências centralizantes no seio desses países.

CIÊNCIA E DARWINISMO

O COMUNISMO E A TRADIÇÃO (judaica cristã e pagã)

MORALIDADE X CIÊNCIA

10 comentários:

  1. A visão da força de trabalho como escravidão não é correta. O trabalho forçado e em condições ruins sim. Você pode até dizer: "ahh, qualquer tipo de trabalho acaba sendo forçado porque todos precisam do dinheiro". Neste caso, meu amigo, você estaria supondo a preguiça e que ninguém deveria fazer nada. O que o comunismo supõe como escravidão é a simples lei da troca, que sempre existiu: eu tenho algo e você tem outra coisa, vamos trocar? É óbvio que, nos tempos em que o comunismo surgiu, as condições de trabalho eram muito mais precárias e poderia passar perto da escravidão, mas hoje essa linha de pensamento não faz mais sentido.

    Supressão de propriedade privada? É algo contra as leis da natureza ... Bastaria um breve esperimento para comprovar o fracasso já previsto há tempos.

    Todos trabalham para gerar sustento a sí e aos seus familiares, se você passa a trabalhar para sustentar os outros, ou seja, você não poder optar por um retorno maior, todos passam a trabalhar menos e todos ficam igualmente desprovidos de recursos.

    É a pura realidade, não é maldade. Ninguém trabalha para sustentar estranhos.

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  2. Claro que não é correta, uma coisa é trabalhado assalariado, outra é escravidão - o marxismo vê uma diferença enorme entre um e outro. "Escravidão do salário" é figura de linguagem, a diferenciação entre escravismo e capitalismo é universal dentro da teoria marxista.

    "Ninguém trabalha para sustentar estranhos" é justamente com base nesse principio que o proletariado se rebelaria contra a ordem capitalista, não? "O trabalho não gera capital para sí". E claro, o que diferencia a escravidão do regime assalariado não são as condições de trabalho - de forma alguma. O que diferencia um de outro são as relações de trabalho. Enquanto o operário vende somente sua força de trabalho, o escravo é uma propriedade - na realidade o senhor é muito mais responsável por seus escravos do que o patrão pelo seus operários. De qualquer forma, a diferença não reside na condição de trabalho(até porque o senhor tem que manter o escravo já que é custoso perder tal propriedade - já o operário é por própria conta e risco).

    E ora, não sei se você não percebeu, isso é uma exposição do comunismo e não necessariamente uma "defesa" do mesmo - quem falou em "maldade"?

    "Contra as leis da natureza"? Com um "argumento" desse sue posso afirmar que estabelece-la é igualmente "contra as leis da natureza" - ficamos ai no mesmo lugar. Leis da natureza são invioláveis por si só, é impossível viola-las - ninguém "sofre as consequências" por violar a lei da gravidade simplesmente porque não dá para violar.

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  3. Uma coisa é verdade, você foi honesto na exposição da ideologia. O comunismo é exatamente o que você escreveu. Mas, minha intenção não era que minha resposta soasse como um rebate a você, mas, sim, um rebate à própria ideologia.

    Quanto ao "ser contra as leis da natureza",para completar, não é apenas por esse aspecto que o homem tenta se colocar além das leis da natureza. A base de toda a ignorância é a própria convicção sustentada pela maioria dos humanos, de achar que nossa espécie ocupa um lugar especial no planeta, recusando-se a aceitar que também somos animais como todos os outros, a ponto de imaginar que existam seres extraterrestres e Deuses semelhantes ao nosso “molde”.

    Retornando, sim, supressão da propriedade privada é contra as leis da natureza. Todos os animais reivindicam alguma posse. Seja de território, de parceiro etc. Retire dos homens o que vos é de posse que sua ira, seguida da decadência de sua auto-estima, logo surgirá.

    Hoje, os empregados têm vários direitos defendidos pelo estado. Mesmo que, muitas vezes, a remuneração demonstra-se insuficiente. Mas, no final das contas, não podemos ter tudo o que queremos, pois as coisas não caem do céu.

    Você já parou para imaginar? Além do salário base, o empregado tem direito de horas extras, férias remuneradas, um salário extra por ano (13º), fundo de garantia, aposentadoria por meio do INSS que é pago, seguro desemprego, auxílio maternidade, auxílio doença, vale transporte, e tem o direito de receber antecipadamente a notícia que será despedido, por meio de aviso prévio.

    Tire suas conclusões...

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  4. Uai, tenho mais de uma conta no google, diferenciadas apenas pelas senhas, nem sabia...

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  5. Ah sim, obrigado pelo esclarecimento do primeiro parágrafo. Me preocupo porque ei de fazer um desses para cada ideologia/movimento/fenómeno, liberalismo, fascismo, absolutismo, etc.

    A minha argumentação não consiste em colocar o homem acima das leis da natureza e creio que os comunistas não pensem em "supera-las" quando socializam a propriedade dos meios de produção. A argumentação consiste em questionar se o exposto é ou não uma "lei natural".

    Mas de qualquer forma vou seguir as suas premissas. Existe uma diferença entre a noção de posse e a propriedade burguesa, e os textos comunistas são cientes dessa diferença - não só desta como também das diferenças entre propriedade geral e propriedade burguesa.

    "O que caracteriza o comunismo não é a abolição da propriedade geral, mas a abolição da propriedade burguesa."

    "De modo nenhum queremos abolir ea apropriação pessoal dos produtos de trabalho para a nova geração da vida imediata — uma apropriação que não deixa nenhum provento líquido capaz de conferir poder sobre trabalho alheio. Queremos suprimir apenas o caráter miserável desta apropriação, em que o operário só vive para multiplicar o capital, só vive na medida em que o exige o interesse da classe dominante. "

    Ou seja, a tal situação insustentável contra as leis da natureza e que condena os homens a depressão é justamente no capitalismo, afinal o proletariado(no sentido mais amplo de desprovido de propriedade) não possue propriedade de MEIOS DE PRODUÇÃO. Partindo das premissas expostas, somente o comunismo é coerente com as "leis da natureza" pois realizaria o direito a propriedade(que seria social) e permitiria que os proletários usufruissem do seu trabalho. Ironicamente o marxismo acaba por restaurar a ideia lockeana tão alardeada em prol do "direito natural a propriedade" de que "propriedade = trabalho". Você pode dizer que o proletário não é submetido a tal depressão no capitalismo porque apesar dele não ter um meio de produção(uma fábrica) ele tem suas posses, mas dizer isso é ignorar que o comunismo não quer tomar as posses dele e sim somente socializar os MEIOS DE PRODUÇÃO.

    Você citou os direitos trabalhista, ok, são conquistas históricas do proletariado, porém o comunismo não nasceu para resolver esses problemas(somente), e sim para resolver as contradições do capitalismo e as relações de trabalho citadas no texto - o que é indepedente do proletariado estar sobrevivendo bem ou mergulhado na miséria.

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  6. A única maneira plausível para compartilhar a posse dos meios de produção que eu enxergo é o capital aberto para acionistas, ou seja, empresa SA. Tornar a empresa estatal imaginando que o estado distribuirá alguma coisa é uma grande ilusão. Nós, como brasileiros, sabemos muito bem como funciona isso tudo.

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  7. Um tipo de Estado diferente creio que implicará numa administração diferente. E certamente os comunistas(pressupondo que são revolucionários) não pretendem que esse Estado(porque "Estado" não é uma entidade acima de condições históricas) estatize as empresas, até porque eles(quando marxistas) tem uma teora sobre o Estado e classificam os diferentes tipos de Estado, a começar pelo Estado burguês(o Estado moderno), Estado burguês aliás que tem como "motivo de ser" a defesa da propriedade. De qualquer forma, para além da teoria ainda temos o exemplo prático, existe um poço de diferença entre o modelo de uma estatal no Brasil(e a forma como esse pode ser solapado) e de uma estatal na União Soviética por exemplo. Na URSS a empresa não só estava inserida num contexto diferente(economia planificada), como era efetivamente(ou diretamente) administrada pelo Estado e não se tratava de uma unidade produtiva independente, ator econômico isolado, e sim parte de um todo(como parte de uma só grande empresa), parte do funcionamento de todo o sistema. Já no Brasil(e em todo sistema burguês), o Estado político em sí mal intervém(ou intervém menos) na administração da empresa(que fica a cargo de uma direção executiva) e só é proprietário na medida que se trata de manter um serviço tido como público e não com o fim de angariar rendimentos a serem distribuidos(a ideia de arrecadação do Estado para realizar seus fins, aqui, é por via de impostos), a empresa não está inserida num plano geral do Estado. Fora isso tem outras questões também. Estou com um livro aqui de acadêmicos cubanos sobre essas reformas recentes e nele existe a exposição de vários mecanismos de participação do trabalhadores em empresas estatais, além de projetos de autogestão. Ou mesmo na China, onde existe um amplo setor privado, a propriedade estatal é distinta daqui(ou mesma a privada que vê refém dos agentes do Partido).

    Enfim, o jogo é outro.

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  8. Nota sobre a China: inclusive eles tem apostado muito em colocar os trabalhadores de uma empresa como acionistas.

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