domingo, 22 de maio de 2011

Pensamento Chinês - Tempo e Espaço

"O pensamento, erudito ou vulgar, obedece na China uma representação do Espaço e do Tempo que não é puramente empírica. Ela se distingue das impressões de extensão e duração que compõem a experiência individual. É impessoal. Impõe-se com a autoridade de uma categoria. Mas não é como lugares neutros que o Tempo e o Espaço se afiguram aos chineses: eles não têm que abrigar ali conceitos abstratos.

Nenhum filósofo se preocupou em conceber o tempo sob o aspecto de uma duração monótona, constítuida pela sucessão de momentos qualitativamente semelhantes., de acordo com um movimento uniforme. Nenhum viu interesse em considerar o espaço como uma simples extensão resultante da justaposição de elementos homogêneos, como uma extensão da qual todas as partes fossem superponíveis. Todos preferem ver no tempo um conjunto de eras, de estações e épocas, e no espaço, um complexo de domínios, climas e pontos cardeais. Em cada ponto cardeal, a extensão se singulariza e adquire os atributos particulares de um clima ou domínio.

Paralelamente, a duração se diversifica em períodos de naturezas diversas, cada qual revestido das caracteristicas próprias a uma estação ou era. Mas, enquanto duas partes do Espaço podem diferir radicalmente entre si, o mesmo acontecendo com duas porções do Tempo, cada período é solidário a um clima, cada ponto cardeal ligado a uma estação. A toda parte individualizada da duração corresponde a uma porção singular da extensão. Uma mesma natureza lhes pertence em comum, marcada, para ambas, por um conjunto indiviso de atributos." - "O PENSAMENTO CHINÊS", de Marcel Granet

Nenhum comentário:

Postar um comentário