segunda-feira, 27 de junho de 2011

Nota sobre as reformas em Cuba

Os pequenos trechos a seguir não servem somentepara expor parte do caráter das reformas que ocorrem em Cuba, como também a existência de um processo democrático, um debate e a ausência de uma estagnação ideológica, no sentido de não se basear em dogmas engessados. Neste texto, o autor, que é um acadêmico da Universidade de Havana, não poupa críticas(e nem economiza em termos como "Socialismo de Estado") ao modelo cubano na busca de uma solução socialista para os problemas que surgiram a partir dos anos '90 e uma renovação nas estruturas econômicas, isso dentro da Revolução Cubana.

"(...)O anterior está muito relacionado com o debate acerca da emergência de práticas socioeconômicas diferenciadas tanto do desastroso discurso neoliberal como do paradigma socialista tradicional. Assim, fugindo do reino afâ desmedido de ganância e do reino da planificação autoritária, se tem cunhado termos como Economia Social, Economia Solidária, Economia Moral, Economia Popular e/ou Participativa, pra citar só alguns exemplos. Todos eles, apesar de virtual(e suspeitosamente) desconhecidos do cenário cubano(mais além do setor investigativo e alguns círculos de discussão), tem sido entronizados no espaço de discursos e propostas da nova esquerda mundial, emblematicamente reunidos no Foro de São Paulo. "

"Ao falar aqui de mercado, devo sugerir a necessidade de se estudar a relação "conflitiva" entre este e a planificação presente nas experiências socialistas do século passado, inspiradas em diversos graus no modelo soviético, que colateralmente nos obrigam a considerar (tendo em vista qualquer análise propositiva) a história da planificação burocrática, vertical e hipercentralizada que caracterizou este modelo de socialismo, seus contextos e desafios geopoliticos, ideológicos, tecnológicos, entre outros fatores (....) considerar a existência de um mercado socialista com diversos graus de regulação e restrição onde cada contexto determinaria a natureza das produções que se realizam..."

"Isto nos orienta a busca, nas condições de possibilidade que compartilhamos, em um modelo misto cujo o estruturador econômico se cimentará em um conglomerado de entidades públicas controladas por cidadãos e uma vasta rede de organizações sociais. Apesar disso, mesmo que pese para nossos amigos enfermos de mercadofobia, devemos novamente recordar que este modelo tem que racionalmente possuir mecanismos de mercado. Os conglomerados(que funcionariam mais como redes do que seus homólogos soviéticos - nascidos de um trunca reforma kruschoviana - ou os velhos monopólios capitalistas) não funcionarão como centros de que dependem uma série de entidades que reproduzem uma série de vicios e deformações paternas, enganando com estatisticas adulteradas, inflando pressupostos atribuidos centralmente ou roubando uma das outras recursos e clientes."

Armando Chaguaceda Noriega, "NI LAVA NI TORBELINO (NOTAS SOBRE UNA ECONOMIA ALTERNATIVA)", em "CUBA - SIN DOGMAS, NI ABANDONOS - DIEZ APROXIMACIONES A LA TRANSICION SOCIALISTA", Editorial de Ciencias Sociales, 2005. Agradecimentos a cubano-brasileira Maria Leite por presentear-nos com tal obra.

3 comentários:

  1. ORTEGA, EU QUE AGRADEÇO.Obrigada por vc ler e tentar entender a complexidade do processo cubano.

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  2. Segundo uma senhora do PCCu as reformas em Cuba pretendem ser um pequeno retrocesso para que se permita do desenvolvimento da economia (um passo atrás para dar dois a frente)

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  3. Desenvolver as forças produtivas é um "passo atrás"? Segundo o marxismo o socialismo surge justamente para desenvolver as forças produtivas quando o capitalismo não o faz mais. Se alguém acha que Cuba vai voltar a ser o que era antes esse alguém é ingenuo e não compreende dialética - táis reformas são desenvolvimento, produto do antigo sistema cubano, elas negam o mesmo, tomam o que é conveniente de tal e o superam. O modelo antigo foi até onde podia ir. Agora, quando outras mudanças qualitativas vierem o caráter delas será determinado principalmente por estas reformas de agora, não serão um retorno ao passado - quem pensa assim são os que pensam que socialismo é necessariamente o modelo que tem suas raízes no comunismo de guerra, no stalinismo e no sistema soviético posterior.

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