sexta-feira, 22 de julho de 2011

Três fatores fundamentais nas relações humanas

Podemos enumerar três fatores que fundamentam as relações humanas(sociais e pessoais), estes que não só estão entrelaçados como também são interdependentes. Conhecê-los nos permite organizar melhor o pensamento e analisar os diversos fenómenos com mais facilidade. Eis o ternário:

Vontade (desejo, intenção, objetivo)

Uma das principais características do homem é a sua racionalidade. Ele pensa, tem a capacidade de planejar e escolher, de fixar metas e agir intencionalmente. Outra característica marcante da humanidade, por vezes esquecida, são as emoções, os desejos. Racional ou não, uma das forças pelas quais o homem se move conscientemente é chamada de vontade, esta que por sua vez é uma relação subjetiva do homem com o mundo. O homem quer e por querer se move. Cria uma opinião, mantém uma posição política e segue seu caminho. A vontade "pura" se manifesta no desejo de ampliar a liberdade, é vontade de poder.

Duas pessoas não se unem contra sua vontade.

Tomando por exemplo o fenómeno da luta de classes podemos observar a vontade de ganhar mais como um fator que torna burgueses e operários irreconciliavéis nesse aspecto - o ganho de um implica na perda de outro, duas vontades entram em conflito.

Fatalidade (leis, condições objetivas, necessidade)

Este é o ponto chave. A vontade existe porém não é independente. Muitas vezes ela não passa de expressão de uma necessidade - quem quer água está com sede, quem quer um trabalho está desempregado. Um fenómeno necessário é um fenómeno inevitável devido a determinadas condições ou por ser submetido a leis. Lei é uma relação objetiva, universal e necessária que se manifesta de forma estável e repetida. As condições objetivas não só determinam a possibilidade realizarmos nossos desejos como constatemente são o que determinam os mesmos. A fatalidade é o encadeamento entre causas e efeitos que vai muito além da vontade humana. Outro exemplo de como as condições limitam a vontade está no fato de que de uma forma geral ninguém anseia aquilo que lhe é distante, impossível ou desconhecido e sim somente aquilo que de forma ele pode ter.

"Que é um ato necessário? É um ato que um dado indivíduo não pode deixar de realizar em circunstâncias determinadas." - Plekhanov, "Da Filosofia da História", 1901, Conferência em Genebra

Duas pessoas não se unem se nunca se conhecerem.

Um Partido político pode ter determinadas intenções, porém pode servir a intenções opostas a estas dependendo das condições objetivas. Nas atuais condições, por exemplo, é impossível voltarmos para o tempo das cavernas independenta da vontade para tal.

No caso da luta de classes, a raíz objetiva deste fenómeno está nas relações de produção, no fato de um estar na posição explorador de mais-valia e outro na posição de produtor de mais-valia.

Poder (liberdade, possibilidade, capacidade)

Está intimamente ligado com o anterior e assim como a vontade também depende do anterior. O poder é constituido pelos os meios que um ser dispõe para realizar a sua vontade. A liberdade consiste na ausência de limitações na realização da vontade, a capacidade, a possibilidade, o poder de realizar o que quer. Enquanto sob o domínio da necessidade o fenómeno ocorre independente da vontade humana(ninguém controla um tsunami ou as crises do capitalismo), em uma situação de liberdade a vontade é soberana. O homem pode e por poder se move. O poder tem várias faces e várias medidas - nossos músculos para nos movimentar, as armas para matar e o dinheiro para comprar são diferentes formas de poder.

O fenómeno da luta de classes se dá graças ao poder(meios de produção) que uns tem e outros não, restando para estes a condição de operários devido o seu poder de produzir.

A união de duas pessoas muitas vezes depende da capacidade de uma persuadir a outra.

O jugo da necessidade faz com que o homem deseje a liberdade, o poder que liberte o homem deste jugo. O homem precisa comer, a fome o ataca de forma inevitável e impiedosa. Para se alimentar ele aprende a arar a terra, o que o possibilita matar a fome de forma mais fácil.Porém arar a terra demanda tempo e esforço, e frente tal necessidade(tempo e esforço) o homem cria o arado movido a boi, ato que o liberta deste trabalho e amplia o seu poder. O poder consiste em interpretar as leis objetivas(fatalidade) e saber usa-las livremente, segundo sua vontade.

Leia também: Leis Objetivas
A Teoria do Materialismo Histórico

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