quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A CIA recrutou mais de 1.500 mercenários afegãos para lutar na Líbia

"A Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos recrutou mais de 1.500 homens da região de Mazar-e-Sharif, no Afeganistão, para lutar na Líbia. Fontes militares disseram ao jornal The Nation que “A maioria dos homens foram recrutados do Afeganistão. Eles são uzbeques, hazaras e persas”
Segundo a TV Al-Jazeera, diversas imagens de “rebeldes” mostram combatentescom vestimentas afegãs, e não líbias.
Fontes em Quetta, disseram que “Alguns uzbeques e hazaras do Afeganistão foram presos em Balochistan. Eles viajarem ilegalmente do Paquistão, passaram pelo Irã e desembarcaram na Líbia, protegidos pela Otan. Relatórios da Al-Jazeera revelam que além dos combatentes transportados por aviões, mais de 60 afegãos, na maioria crianças e adolescentes, foram encontrados mortos por sufocamento dentro de um contêiner, no sudoeste do Paquistão, em uma tentativa aparente de ingressar na Líbiapor via marítima.
Mais de 100 imigrantes ilegais foram descobertos a 20 quilômetros da cidade fronteiriça de Quetta, na semana passada no interior do contâiner, que tinha sido trancado por fora.

Rebeldes financiados pela CIA
As fontes da TV Al-Jazeera disseram que “A CIA financiou os rebeldes da Líbia com dinheiro e armas.” Em uma entrevista com o prefeito de Nova York, o judeu sionista (racista) Michael Bloomberg, ele afirmou que os líderes dos rebeldes da Líbia viajaram para Istambul buscando legitimidade e dinheiro. “Eles vão sair com o reconhecimento oficial dos EUA e 31 outros países. Quanto ao dinheiro, eles vão ter que esperar”.
A decisão do prefeito de Novaiorque de tratar diretamente com osrebeldes, reconhecendo-os como “autoridade legítima do governo” na Líbia, é um passo fundamental para liberar alguns dos bens congelados do governo líbio, transferindo-os para os rebeldes em trocada missão de derrubar o líder Muamar Kadafi.
Segundo a secretária de Estado Hillary Clinton, “Nós ainda temos de trabalhar através de várias questões jurídicas, mas esperamos que esse reconhecimento permitirá que os rebeldes líbios tenham acesso aosfundos congelados e a diversosoutros financiamentos”.
Em causa estão cerca de US$ 34 bilhões em ativos congelados - roubados - do governo líbio, sequestrados pelas instituições dos EUA emais US$ 130 bilhões de dólares congelados nos países da Comunidade Econômica Européia. Falando por telefone a partir de Istambul, o porta-voz do Conselho Nacional de Transição Mahmoud Shammam afirmou que pretende resgatar mais de US$ 100 bilhões em fundos congelados - direto do governo e de empresas líbias que cometeram o erro de confiar nos bancos norte-americanos e europeus.

Muito dinheiro em jogo
Nas próximas semanas, os funcionários dos EUA vão consultar os parceiros do CNT sobre os métodos mais eficazes e adequados para fazer assistência adicional significativa aos fundos disponíveis, de acordo com um funcionário do Tesouro dos EstadosUnidos que não estava autorizado a discutir o assunto publicamente.
Shammam disse que a CNT precisa de US$ 3 bilhões para cobrir o orçamento de seis meses de guerra. O conselho está buscando empréstimos garantidos por contratos para exploração de petróleo e gás natural na Líbia para ospróximos anos.
O reconhecimento dos rebeldes por parte das nações européias eEUA podem legalmente permitir às nações comprar a empresa estatal de petróleo da Líbia, que controla a rica parte oriental do país. Duas empresas estrangeirassaíram na frente: a Eni SpA da Itália e a francesa Total SA.
Segundo Gary Clyde Hufbauer, pesquisador sênior do Instituto Peterson para Economia Internacional, em Washington “As questões legais estão sendo manipuladas. Se Obama e Clinton querem pagar os rebeldes, os seus advogados podem inventar muitas questões legais para justificar o ritmo escolhido, e a exigência principal é prender ou matar o Kadafi.”
Os EUA prevê um “curto espaço de tempo” para liberar alguns dos ativos do governo líbio congelados pelos EUA.O porta-voz do Departamento Mark Toner disse que o presidente Barack Obama assinou uma ordem em 25 de fevereiro de congelamento de todos os ativos do governo da Líbia e de empresas e indústrias líbias nos Estados Unidos. Como uma questão prática, a maioria dos US$ 34 bilhões está vinculada a interesses de propriedade complicada, incluindo participações em empresas não negociadas publicamente ou imóveis, de acordo com o funcionário do Tesouro.
A mecânica de como os EUA vão descongelar ativos ainda tem que ser trabalhado, e os valores podem superar em muito os números até agora anunciados. As sanções das Nações Unidas contra a Líbia permaneciam um obstáculo aos esforços para conseguir dinheiro para os rebeldes,mas na semana passada o governo da África do Sul - sob pressão do governo norte-americano que ameaçou cortar a ajuda militar àquele país - concordou em retirar o veto à utilização dos fundos congelados.
O Reino Unido e a França, que lideraram a campanha para derrubar Kadafi, ainda não anunciaram qualquer contribuição financeira aos rebeldes, a não ser as aeronaves que estão bombardeando a Líbia dia e noite.
O reconhecimento do governo provisõrio dos rebeldes líbios, violando todas as legislações nacionais e internacionais “vai permitir que a alguns países descongelaremdinheiro paraosrebeldes”, afirmou o ministro francês Alain Juppé.Ele disse que na França os valorescongelados dogovernolíbio superam 250 milhões de euros.
Outras nações já encontraram os meios para agir neste sentido. A Itália irá abrir uma linha de crédito para os rebeldes usando como garantia bens congelados, e fornecê-los com 100 milhões de euros, informou o ministro das relações exteriores italiano, Franco Frattini.Ele disse que outros 300 milhões de euros serão liberados em duas semanas e, no total, a Itália vai emprestar 400 milhões de euros aos rebeldes.

Violação do direito internacional
O CNT espera mais US$ 100 milhões da Turquia dentro de três dias, informou Shammam.
O principal critério no direito internacional para o reconhecimento de um grupo rebelde denominado governo é de controle efetivo sobre o território. Legalmente, o reconhecimento do CNT é ilegal porque diversas cidades líbias continuam sob controle do governo de Muamar Kadafi, o que “indiscutivelmente constitue uma interferência ilegal nos assuntos internos”, disse Stefan Talmom, professor de Direito Internacional da Universidade de Oxford, em artigo para a Sociedade Americana de Direito Internacional.
Mas o direito internacional estásendo atropelado pelo Departamento de Estadonorte-americano, segundo o qual “uma série de ações dos rebeldes convencenceram os EUA a oferecer reconhecimento, incluindo um compromisso de prosseguir um processo de reforma, e buscar representação mais abrangente de líbios, politicamente, geograficamente e tribais”. Ora, tudo isso não passa de cortinas de fumaça porque é do conhecimento global que a CIA preparava e financiava, há décadas, os levantes no leste da Líbia para derrubar o líder Muamar Kadafi.
O Secretário-Geral Ban Ki-moon será a única pessoa autorizada pelo Grupo de Contato para negociar com ambos os lados na Líbia. Ban criará um conselho deapenas 2 ou 3 interlocutores de Kadafi e dos rebeldes, disse Frattini.
A campanha militar contra Kadafi vai continuar “indefinidamente” até que ele sejapresou ou morto, afirmou ministro do exterior britânico, William Hague, em Istambul, revelando os verdadeiros objetivos desta guerra de ocupação da Líbia.
As potências imperialistas querem neutralizar um líder nacionalista - Muamar Kadafi - que não permite a entrega das riquezas naturais do país para empresas estrangeiras. Afastando o único obstáculo para saquear as liquezas da Líbia, os abutres de Wall Street, da França e Inglaterra, estarão com o caminho livre para roubar o povo líbio impunemente."

http://amarchaverde.blogspot.com/

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

"A Líbia de Kadafi: o que a mídia jamais mostrará"

"Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. (...) Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. " (Jesus de Nazaré, em Evangelho segundo Mateus, Capítulo 7, versículos 15-20)

Que frutos a Jamahiriya de Kadafi dá ao povo Líbio? Que frutos vem do "esforço libertador" da OTAN? "O blog "A Marcha Verde" publicou um texto interessante para compreender os motivos por trás do nome oficial da Líbia, "Popular e Socialista"(cujo a prática eu não considero muito diferente de uma República Popular Democrática de tradição marxista), e que também fala de forma breve e clara sobre os interesses por trás da agressão da OTAN a Jamahiriya da Líbia. O blog procurará reunir mais informações a respeito do autoproclamado "socialismo líbio", mas por enquanto segue abaixo um texto que reflete a importância de se conhecer este peculiar sistema que vem sofrendo uma dura agressão da Organização do Tratado do Atlântico Norte:

"A Líbia de Kadafi: o que a mídia jamais mostrará


I - A ONU CONSTATOU EM 2007 QUE A LÍBIA TINHA:
1 - Maior Indice de Desenvolvimento Humano (IDH) da África (até hoje é maior que o do Brasil);

2 - Ensino gratuito até a Universidade;

3 - 10% dos alunos universitários estudavam na Europa e EUA, tudo pago;

4 - Ao casar, o casal recebia até US$ 50.000 para montar casa;

5 - Sistema médico gratuito, rivalizando com os europeus. Equipamentos de última geração, etc;

6 - Empréstimos pelo banco estatal sem juros;

7 - Inaugurado em 2007, o maior sistema de irrigação do mundo, vem tornando o deserto (95% da Líbia) em fazendas produtoras de alimentos;



II - PORQUE "DETONAR" A LÍBIA ENTÃO?

Três principais motivos:

1 - Tomar o seu petróleo de boa qualidade e com volume superior a 45 MIL MILHÕES de barris em reservas;

2 - Fazer com que todo o mar Mediterrâneo fique sob o controlo da NATO. Só falta agora a Síria;

3 - E provavelmente o principal:

- O Banco Central Líbio não está ligado ao sistema financeiro mundial.

- As suas reservas são toneladas de ouro, que garantem o valor da moeda, o dinar, que desta forma está resguardado das flutuações do dólar.

- O sistema financeiro internacional ficou possesso com Kaddafi, após ele propor, e quase conseguir, que os países africanos formassem uma moeda única desligada do dólar.


III - O QUE É O ATAQUE HUMANITÁRIO PARA LIVRAR O POVO LÍBIO:

1 - A NATO comandada, como se sabe, pelos EUA, já bombardeou as principais cidades Líbias com milhares de bombas e mísseis em que um único projéctil é capaz de destruir um quarteirão inteiro. Os prédios e infra estruturas de água, esgotos, gás e luz estão seriamente danificados;

2 - As bombas usadas contêm DU (Urânio empobrecido) (causa cancro e deformações genéticas);

3 - Metade das crianças líbias estão traumatizadas psicologicamente por causa das explosões que parecem um terramoto e racham as estruturas das casas;

4 - Com o bloqueio marítimo e aéreo da NATO, as crianças sofrem principalmente com a falta de medicamentos e alimentos;

5 - A água já não mais é potável em boa parte do país. De novo as crianças são as mais atingidas;

6 - Cerca de 150.000 pessoas por dia, estão a deixar o país através das fronteiras com a Tunísia e o Egipto. Vão para o deserto ao relento, sem água nem comida;

7 - Se o bombardeio terminasse hoje, cerca de 4 milhões de pessoas de uma população de 6,5 milhões de pessoas, estariam a precisar de ajuda humanitária para sobreviver: água e comida.

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Em suma: O bombardeio "humanitário", acabou com a nação Líbia.
Nunca mais haverá a "nação" Líbia tal como nos dias de hoje.

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Há ocasiões em que o silêncio é ouro, mas há outras em que é pura covardia. (John Blanchard)"

domingo, 28 de agosto de 2011

Discurso de Kadafi sobre a invasão


Original e tradução do árabe, de Anaori, no blog “Soa Brasil”

"Aos meus compatriotas

Os assaltantes sionistas capitalistas que querem usurpar a terra de vocês, querem ver-me morto e já ofereceram um prêmio pela minha cabeça. Não sabem que minha cabeça, minha alma e o martírio pertencem a Alá, o grande deus. Mostrei ao mundo onde está o ninho da maldade.

Pensam vocês, meu irmãos, que o acontece ao meu país acontece por minha culpa? Não. Por isso lhes digo que defendam a liberdade de vocês. Ganhamos essa batalha e outras ganharemos. Deus é grande. Vocês têm casa, saúde, escola gratuitos.

Ajudei o Chifre da África e, aqui, nenhum imperialismo imperou. Mas não fiz o bastante. Agora, vocês sofrem. Lutei muito para que, agora, vocês percam tudo. Lutem, lutem, não descansem nem se acovardem.

Somos milhões no mundo que já vimos que as coisas são como eu sempre disse que eram: capitalismo=sionismo=escravidão. Não nos submeteremos. Meu legado há de servir também a outras nações. Não estou morto, porque muitos ainda me querem vivo.

Estou com vocês nesses dias e nas noites escuras. Estamos com Alá.

Meus irmãos, levem a guerra a cada rincão da opulência, da vaidade, da vida lasciva. Não se deixem seduzir pelo dinheiro do sangue. Os líbios são seres luminosos. Tenham todos a certeza de que vocês estão do lado da grandeza. Deixem passar o tempo. Há forças no interior de vocês. Libertem-se dos demônios do mundo, vivam e deixem viver.

Todos sabem onde estou. Nos oásis mais belos de nosso país. Não destruam a Líbia. Já sobrevivemos a seis meses de martírio e dor. Mas essa é a terra de vocês. Não a vendam.

Minha alma está com vocês. Temos democracia participativa na Líbia. O povo, para o povo. E por que dizem que não? Porque eu estou aqui. Uma voz de revolução? Não. Nem pensam nisso. É tudo pelo petróleo.

O capitalismo está acabado. Irmãos da Revolução Verde, não caiam na mentira capitalista. Para que algum império sobreviva hoje, precisa de guerra eterna.

Vocês não veem que ainda estando eu vivo e combatendo essa batalha infernal, eles já brigam entre eles, disputando o butim da nossa Líbia amada?

Os dissidentes supõem que os colonialistas lhes darão o que eu lhes dei?
Pois esperemos, para ver.

Minha família e eu estamos bem, lutando pela verdade. Sofro, apenas, por haver líbios matando líbios. Mas foi o que conseguiram os sediciosos. Eu nunca lutei luta que não fosse por meus princípios, ajudando o povo, o povo líbio e os povos africanos. E eles? O que têm a dizer? Nada! Todos os capitalistas racistas são iguais. São aves de rapina!

Eles e seus slogans de caridade: “Ajudem as crianças da África”. E que criança da África ganha deles alguma coisa? As doações vão para banqueiros e multinacionais e para as empresas que eles criam para lucro deles. Algum africano alguma vez foi beneficiado pelas empresas que eles criam? Não. O Chifre da África sofre o que sofre por causa do imperialismo.
Sou líder e tenho o poder nas mãos. Vivo porque meu povo vive. Por isso querem calar-me. Gaddafi aqui, hoje e sempre.

Povos do mundo levantem-se e façam fugir esses meios homens que querem escravizar vocês.

Agora estou em Sirte. Nasci aqui. Sou filho humilde desse deserto líbio que me viu nascer. Estou em Trípoli, em Benghazi e no mundo. E daqui, falo. E os ianques, onde estão? O que têm a dizer?

Acaso a civilização e a cultura ianque querem pendurar-me numa forca, como o líder do Iraque?

Pois se acontecer, que seja. O martírio honra quem mostra a verdade ao mundo."

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Aviões britânicos bombardeiam a cidade de Sirte assassinando milhares de civis

Esse é o "preço" da democracia? Os que dizem isso geram falsa consciência e alienação. Aqui a democracia é um valor universal a ser imposto por meio de bombas destruidoras. A democracia não surge como um fim em sí mesmo e sim como um meio de promover a dignidade humana. Como pode se "promover a dignidade humana" assassinando civis indiscriminadamente? Não existe "Revolução Popular" na Líbia, existe RESISTÊNCIA POPULAR frente a uma invasão estrangeira apoiada por mercenários locais.

Eis a lógica do capitalismo de desastre: destrua tudo e lucre com isso.

Aviões britânicos bombardeiam a cidade de Sirte assassinando milhares de civis


Aviões britânicos bombardearam durante a noite diversas regiões da cidade de Sirte, a cidade natal do líder Muamar Kadafi. Foi mais um episódio covarde e sangrento, entre tantos outros patrocinados pelos países que compõe a Otan. Atacar e bombardear a população civil durante a noite é uma prática dos militares norte-americanos iniciada na Guerra da Coreia, quando dezenas de cidades e vilarejos da República Popular e Democrática da Coreia foram dizimadas sob ataque cruel e sanguinário.
"À meia-noite, uma formação de Tornados GR4s, que partiu da base da RAF (Royal Air Force) de Marham, em Norfolk, leste da Inglaterra, disparou uma salva de mísseis guiados de precisão Storm Shadow contra um bunker de um grande quartel-general na cidade natal de Kadafi, Sirte", afirma um comunicado.
A TV estatal líbia, Al Jamariya, anunciou nesta quinta-feira em sua página no Facebook que a Otan estava bombardeando Sirte, atingindo alvos civis, entre os quais hospitais, escolas e rodovias.
Imaginem se a Líbia disparasse mísseis em direção à Europa? Seria um desastre nem proporções e a opinião pública mundial ficaria revoltada ao extremo, mas a mídia ocidental silencia quando aviões partem da Inglaterra para despejar bombas na Líbia e voltar ao país de origem cantando vitória. É uma verdadeira desgraça para o futuro da humanidade não reagir a mais esse crime de guerra praticado por britânicos.
Não consta que a ONU tenha autorizado que aviões da Inglaterra bombardeassem cidades líbias. Trata-se de crime de guerra, condenável por toda a legislação internacional. Entretanto, por tratar-se de terrorismo de Estado patrocinado por aliado dos EUA, é praticamente impossível que haja qualquer conseqüência em tribunais penais internacionais, na maioria controlados pelos governos das potências imperialistas que hoje atacam a Líbia para roubar petróleo.
A situação hoje é caótica na Líbia. Falta água, luz, gasolina e alimentos na maioria das cidades, ou seja, os invasores atingiram seus objetivos de enfraquecer o país para permitir o roubo de suas riquezas através da formação de um governo pró-ocidente, a exemplo do que fizeram no Iraque e Afeganistão.
O povo árabe líbio e os partidários de Muamar Kadafi lutam contra a maior potência militar do planeta, incluindo amais avançada tecnologia de guerra, os aviões não-tripulados utilizados pelo governo norte-americano. A população líbia foi colocada em regime de terror pelos bombardeios diários da Otan que assassinou milhares e milhares de civis indefesos.

Retirado de: www.amarchaverde.blogspot.com

TROPAS ESTRANGEIRAS NA LÍBIA

Cabe nos questionar que tipo de "Revolução Popular" será esta que avança com o massacre indiscriminado por meio de bombardeios. É um "preço" a se pagar pela "democracia"? Qual é o motivo da democracia? A democracia não é um fim em sí mesmo, ela surge para promover a dignidade humana - como esperam "promover a diginidade humana" bombardeando um povo inteiro?

Militares estrangeiros operam na Líbia


Desde o início da guerra de ocupação da Líbia por potências imperialistas ficou claro que sem o apoio da Otan e de militares estrangeiros os rebeldes não passavam de pequenos grupos de criminosos tentando dividir o país. Recebendo financiamento e armas dos governos dos EUA, França e Inglaterra, os rebeldes receberam também um grande número de mercenários estrangeiros, na maioria levas de desempregados de países africanos.
Para permitir a sobrevivência dos rebeldes, a Otan passou a bombardear indiscriminadamente as maiores cidades da Líbia, assassinando friamente milhares de civis indefesos, destruindo a infraestrutura do país. Nem mesmo hospitais e escolas foram preservadas dos bombardeios diários da Otan em sua sanguinária guerra para roubar petróleo.
Provando mais uma vez que os rebeldes não passam de mercenários de países poderosos, a mídia ocidental divulgou a conquista de Trípoli. Entretanto, governantes de diversos países estão pedindo publicamente ao líder Muamar Kadafi que cesse os combates. Ora, se existe superioridade militar dos rebeldes e se a capital foi conquistada, por que estes governantes tem que se humilhar pedindo que a população não resista aos rebeldes?
Nesta mesma linha, para chegar a Sirte – terra natal de Kadafi – os rebeldes pediram apoio a tropas estrangeiras, assassinos profissionais britânicos e franceses das chamadas “forças especiais” se preparam para lutar em Sirte, segundo o jornal Guardian. Isto configura invasão estrangeira. É a prova definitiva de que as potências estrangeiras estão diretamente ligadas ao conflito na Líbia, e que, diante da incapacidade das forças rebeldes em dominar o território, recorrem a mercenários estrangeiros europeus.
A participação direta de forças estrangeiras na Líbia não é de hoje, informa o jornal The Guardian: “Os soldados britânicos e franceses tomaram um papel de liderança não só na orientação dos bombardeiros para abrir caminho para os combatentes da oposição, mas também no planejamento da ofensiva que finalmente quebrou o cerco de seis meses na cidade de Misrata.” A confissão foi feita por Mohammed Subka, um especialista em comunicações da brigada Watum Al.
Na tarde de quinta-feira, Subka e sua unidade esperaram na linha de frente dos rebeldes, conhecido como Quilômetro Seis, a bordo de uma coluna demercenários em picapes preto montado com metralhadoras pesadas, e alguns tanques recentemente capturado. "Estamos com a equipe de Inglaterra", disse ele ao Guardian. "Eles nos avisam e comandam."
Quilometro Seis está no deserto, onde existe apenas uma mesquita cor de areiae uma lanchonete que atende em um cruzamento de tráfego. Sirte, cidade da tribo de Kadafi, está a 80 milhas de distância.
O avanço sobre a cidade não poderia começar até que as unidades recebessem ordens dos britânicos e franceses. Subka disse, após abrir o seu laptop fornecido pela Otan que as posições de artilharia que ameaçavam a rota estavam sendo monitoradas por satélites espiões da Inglaterra e França. "Não se preocupe com essas unidades - são preocupação da Otan", disse ele. Em outras palavras, a Otan estava encarregada de bombardeá-las para facilitar o deslocamento dos rebeldes.
O canal de televisão al-Orouba informou que a cidade de Sirte sendo bombardeada por aviões da Otan, mas a mídia ocidental não publicou uma palavra ou linha sobre novos massacres de milhares de civis indefesos.
Militares nas linhas de defesa confirmaram ao Guardian que diversas tropas estrangeiras - da Inglaterra, França, Catar e outros países da Europa Oriental – desembarcaram em Misrata por várias semanas,em uma base militar instalada na entrada da cidade.
Os rebeldes reclamavam que não havia contato com as aeronaves da Otan, que bombardeavam inclusive grupos de rebeldes. O problema foi solucionado com a presença de Subka, um agente da CIA infiltrado no aeroporto de Trípoli, onde trabalhou como atendente de aeronaves meses antes do início dos ataques, demonstrando que havia um planejamento estratégico de alguns anos para a guerra atual.
Segundo Subka, a equipe da Otan também ajudou a planejar a fuga dos rebeldes, duas semanas atrás, quando militares fiéis a Kadafi recuperaram o controle da cidade de Tawarga.
Comandantes rebeldes preferem evitar um ataque terrestre a Sirte, esperando persuadir os apoiadores de Kadafi a depor as armas sem lutar. Mas a Otan deflagrou uma série a Sirte usando mísseis Scud.

Carniceiros britânicos da SAS
Atualmente são estimados em 200 o número de os soldados das forças especiais britânicas SAS atuando na Líbia, mas o tamanho do contingente será ampliado nos próximos dias devido a resistência em Trípoli e ao apoio que Kadafi está recebendo de diversas tribos do deserto.
Retirado de: http://amarchaverde.blogspot.com/

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A "Revolução" da OTAN

O avanço das "forças rebeldes" é proporcional ao aumento dos crimes da OTAN, a destruição de infraestrutura e o massacre do povo líbio que vem ocorrendo nos ultimos quatro meses. Isso quer dizer que quanto mais avança a peste mercenária, maior o desprezo do povo líbio por ele e maior seu apoio a Kadafi, maior sua fibra de resistência.

A "Revolução" na Líbia nada mais é que tribos mercenárias massacrando o povo por terra e aviões estrangeiros fazendo isso pelo ar. A resistência permanece, com ou sem Kadafi - e já não é a primeira vez que a Líbia enfrenta opositores somados a bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte.

"Rebelión – [Basem Tajeldine, tradução do Diário Liberdade] Mais de 4 meses de intensos bombardeios da OTAN; mais de 4300 operações aéreas e centenas de bombas de precisão feitas a partir de urânio empobrecido [1], que foram jogadas indiscriminadamente sobre o povo líbio desde o início das agressões imperiais contra a Líbia, causando a morte de mais de 1000 civis inocentes e ferindo outros milhares mais, e nada parece abalar o governo líbio.

Intensificam-se os bombardeios e massacra-se o povo líbio com a falsa desculpa de “defender suas vidas”; no entanto, ninguém sabe explicar o porquê do povo líbio ainda se manter firme e leal ao seu governo e ficar na resistência diante das mais duras condições do bloqueio econômico criminoso e frente ao sistemático terrorismo de Estado exercido pelos países da OTAN.

Os infames “aliados” da OTAN não esperavam encontrar tamanha resistência popular líbia. Muitos estão confusos. Como é possível que o suposto “monstro e genocida” – como a mídia descreve Gaddafi – tenha resistido a semelhantes ataques, por várias frentes, e conte ainda com a coragem de muitos líbios? Porque os “rebeldes” não conseguiram, por terra, varrer com “o tirano” mais odiado por seu povo? Onde reside a força de Gaddafi?

Estranhas são essas missões “humanitárias” que matam civis inocentes e destroem toda a infraestrutura civil de um país com a desculpa de defender o povo líbio. Estranhos são esses “rebeldes” ou “revolucionários”, ou melhor dizendo – segundo a mídia internacional – “civis armados” que enfrentam o governo de Muammar Al Gaddafi, apoiados por forças estrangeiras. Estranho são seus líderes reunidos no Conselho de Transição Nacional (CTN), que exigem do estrangeiro dinheiro e mais armas para assassinar aos seus próprios irmãos líbios. Mentirosos são os jornalistas membros das redes transnacionais que todos os dias relatam sobre os supostos avanços dos grupos “rebeldes”, e nos mostram vídeos absurdos sobre combates falsos entre rebeldes e tropas líbias, enquanto as zonas com supostas disputas continuam sob o controle do exército e das milícias populares leais ao governo líbio. Estúpidos são aqueles que acreditam em todas essas mentiras e fazem eco do falso discurso imperial. Perguntemo-nos algo: se o povo líbio odeia Gaddafi, porque depois de 4 meses de intensos bombardeios os “rebeldes líbios” não avançam e tomam o controle da zona mais populosa da Líbia, a capital Trípoli? Podem denominar-se “rebeldes líbios” aqueles que cumprem as ordens militares das potências imperiais, garantem a destruição de seu próprio país e a morte de seus irmãos, e, frente aos seus próprios fracassos militares, não tentam negociar uma saída e reconciliação com a outra parte? Gozam de autonomia esses “rebeldes”? Ou são mercenários descarados a serviço das potências estrangeiras? Rebeldes são os povos e sua vanguarda que luta contra o sistema imperante em razão de ideais progressistas. É à realidade e proceder destes grupos que me remeto. Os mal chamados “rebeldes líbios” não são mais que mercenários vulgares a serviço da OTAN, que tenta impor os interesses dos seus senhores. Sua existência e ação na Líbia foram produto de um plano claramente orquestrado com muita antecedência e preparação, tal como escrevem muitos outros investigadores do conflito líbio [2].

Estive presente na Líbia nos momentos mais difíceis da agressão imperialista da OTAN, e testemunhei o que realmente sucede lá, a mais cruel, crua e triste realidade que enfrenta esse povo irmão [3]. Isso me permite ratificar tudo o que tenho escrito. As tropas líbias não enfrentam diretamente os grupos mercenários. Não. O exército líbio resiste à agressão imperial da força aérea da OTAN, que bombardeia a população e limpa o terreno, que depois será ocupado pelos mercenários. Estes cumprem o triste papel, encomendado pela OTAN, de exército de ocupação. Após o recuo tático do exército líbio, frente ao bombardeio, imediatamente se produz o contra-ataque líbio, que afugenta os mercenários covardes.

Cada dia que passa sem que a OTAN consiga alcançar o declarado objetivo de assassinar Gaddafi – violando a própria Resolução 1973 da ONU – os grupos mercenários ficam mais desacreditados ante os poucos líbios iludidos que ainda existem, e também frente ao mundo. Quanto mais dura a agressão, e as máscaras das forças mercenárias imperiais vão caindo, mais cresce a resistência militar e popular do povo líbio, em moral e determinação para continuar lutando.

A OTAN e seus aliados sabem que o tempo joga contra eles, que a consciência e o ódio do povo líbio contra eles cresce na medida em que aumentam seus crimes.

Aqui está o segredo revelado que explica uma das razões da força de Muammar Al Gaddafi. A pior desgraça para um exército colonizador são as mentes descolonizadas e um povo decidido a morrer pelo que crê.

Basem Tajeldine é membro do Centro de Saberes Africanos."


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Saif Al-Islam sai na rua com apoiadores

A midia internacional mais uma vez mente ao publicar a dita prisão do filho de Kadafi. O blog Realpolitik segue torcendo pelas forças da resistência verde. Alguns veículos afirmam que os "rebeldes" declararam a "fuga' do mesmo. Eis Saif Al-Islam ileso pelas ruas de Trípoli, estas que estariam "sob controle de tropas rebeldes"(outra desinformação):


Mensagem de membro da resistência libia

Maximus Al Islam é um libio com quem mantenho contato já faz um bom tempo. Tem 24 anos, é estudante e é membro da resistência. Desde sábado não deu as caras na internet, o que fez hoje. Além de desmentir a "festa rebelde na Praça Verde"(o que outras fontes já fizeram) e falar da continuidade dos bombardeios da OTAN, enviou a seguinte mensagem(confimando o que eu disse quanto a questão estratégica):

الرفيق، ونحن تكافح الكثير هنا ، ان الفئران المقبلة في طرابلس، ولكن مقاومة هي ، يذهب الناس الى الشوارع، ووسائل الإعلام الدولية تمر كذبة، ان الناس بحمل السلاح للدفاع عن والدنا العظيم ، حياتنا خضراء وسوف تكون خضراء حتى اليوم الأخير. ماكسيموس الاسلام

Que pode ser traduzido como:

"Camarada, estamos lutando muito aqui, os ratos entram em Tripoli, mas a resistência existe, as pessoas vão as ruas, o que diz a midia internacional não passam de mentiras, as pessoas pegam em armas para defender o nosso pai, o grande, somos verdes e seremos verdes até o último dia. Maximus Islam"

Líbia: notícias do front, por Thierry Meysan


Thierry Mensan é um intelectual francês presidente fundador da Rede Voltaire e da Conferência Axis for Peace. O blog Realpolitk continua a apelar para seus leitores que repudiem as pretensões da OTAN independente de sua opinião acerca de Kadafi, a não ser que possuam algum interesse na derrubada de seu regime - acionistas do petróleo, especuladores em geral e etc.

"Sábado 20 de Agosto 2011, pelas 20h, ou seja, na altura do Iftar, rompeu-se o jejum do Ramadão quando a Aliança atlântica lançou a "Operação Sereia"
As Sereias são os alto-falantes das mesquitas que foram usadas pela Al-Qaeda para lançar um apelo de modo a iniciar as revoltas. Logo de seguida, células adormecidas de rebeldes entraram em ação. São pequenos grupos de extrema mobilidade que multiplicaram os ataques. Os combates durante a noite fizeram 350 mortos e 3000 feridos.
A situação estabilizou durante o dia de domingo.
Um navio da Otan acostou em Tripoli, fornecendo armas de alto calibre e desembarcando jihadistas da Al Qaeda, contratados pelos oficiais da Aliança.
Os combates retomaram durante a noite. Atingiram um pico de violência extrema. Os drones e os aviões da Otan bombardeiam em todas as direções. Os helicópteros metralham as pessoas nas ruas de forma a abrir caminho aos jihadistas.
No início da noite, uma escolta de veículos oficiais transportando personalidades de primeiro plano foi atacado. Refugiaram-se no hotel Rixos onde se encontra a imprensa estrangeira. A Otan não se atreveu a bombardear por causa dos jornalistas. O hotel Rixos, onde me encontro, está sob fogo constante.
Às 23h30, o ministério da Saúde constatou que os hospitais se encontravam saturados. Contavam-se no início da noite 1300 mortos e 5000 feridos.
A Otan recebeu esta missão do Conselho de Segurança da ONU para proteger os civis. Na realidade, a França e o Reino-Unido recomeçaram com os massacres coloniais.
1h00 Khamis Kadhafi vem em pessoa trazer armas para defender o hotel. Foi-se embora após entregar as armas. Os combates são extremamente duros nos arredores."

Tripoli: ontem, quase 2 mil mortos e 5 mil feridos. Hoje, muito mais.


Aparentemente a mídia, claramente pro-OTAN, deixou de super-faturar o número de baixas devido o avanço rebelde. Informações do sistema de saúde de Trípoli:

"Relato do Dr. Moussa Ibrahim,porta-voz do governo da Líbia:

O mundo é responsável e testemunha dos crimes que são cometidos contra os líbios em Tripoli, com o bombardeio crescente da OTAN e em torno de Trípoli para oferecer apoio aos rebeldes de entrar na cidade anteriormente pacífica. O número de mortos ontem à noite 20 de agosto foi de 376 mortos e quase 900 feridos. Isso inclui ataques da OTAN em pontos de verificação, exército, soldados e ruas e bairros, outros cometidos por rebeldes.

Confirmação do Comitê da Líbia Popular Geral de Saúde, entretanto vir à luz com estatísticas que mostram que desde o meio-dia 21 de agosto até 11:00, durante 11 horas de violência, agora com 1,3 mil foram mortos em Trípoli sozinho e 5.000 feridos e os hospitais não podem lidar.

O mundo pode ver que uma cidade pacífica onde os jornalistas viviam por muitos meses está sendo atacada pela OTAN e atacando o coração de uma cidade pacífica civil, um exército que está em posições defensivas, e está atacando os voluntários que saíram de suas casas, deixando suas mães, pais, irmãs e irmãos,
para defender sua cidade e da OTAN dá cobertura aérea directa a estes grupos armados que não têm projeto político.

Os rebeldes querem vingança, cheio de ódio, apoiado por um conflito tribal e amargura dos últimos anos, para destruir a cidade, especialmente as tribos, os cidadãos e os bairros que são bem conhecidos para apoiar Muammar Kadafi.

Esperamos que o número de mortos a subir além da imaginação de ninguém. Apoiado pelo poder da OTAN, sem a qual os grupos armados não seria capaz de se mover de um metro, face o nosso exército e tribos e famílias e voluntários, mas porque a OTAN mata tudo que se move na frente dos rebeldes, os rebeldes são capazes de avançar .

Fazemos um apelo ao mundo, para o coração deste mundo. As pessoas na minha cidade estão sendo mortos, dia após dia, sem qualquer saída, sem qualquer forma possível para as negociações. Temos falado anteriormente que pode não a paz condição, você tem que sentar, conversar e, em seguida, discutir tudo. Quem tem o direito de tomar uma agenda fora as conversações de paz, e dizer que você não pode discutir isso.

Dissemos antes que tenhamos aceitado o roteiro União Africano, aceitamos negociações e conversações, podemos sentar com todas as partes, alcançar a paz e concorda como avançar para a Líbia, mas ninguém quer ouvir porque todos OTAN está preocupada com a destruir o sistema político líbio para que ele possa ter um sistema político que vai cumprir seus próprios desejos, e não o desejo da nação da Líbia, mas os desejos da NATO.

A proporção mais significativa do povo líbio fez seus pontos de vista muito claro quando saíram nas ruas [com bandeiras verde e fotos de Muammar Kadafi], aos milhões. Se essas pessoas serem ouvidas, ouviu e acreditou?

1300 mortos, 5000 feridos, em apenas 11 horas, nossos hospitais são incapazes de lidar com um desastre como esse, a Cruz Vermelha está aqui em Tripoli, enquanto na esperança de ajudar, mas a situação de segurança é bastante difícil.

Estamos muito resistente e ainda muito forte, temos milhares e milhares de combatentes que ainda permanecem, que não têm para onde ir, mas para lutar, então isso vai aumentar e aumentar eo número de mortos vai aumentar porque cada lado tem medo do outro lado, se eles vão ganhar. Por isso, vamos suspender todas as operações militares e da violência.

NATO pode encomendar os rebeldes a parar imediatamente, podemos encomendar as nossas tropas e voluntários para parar imediatamente e então nos sentamos. E o mesmo que os rebeldes têm o seu líder ou líderes que conduzirá as negociações e sem eles os rebeldes seriam perdidos ou destruídos, nós também temos o nosso líder, Muammar Kadafi. Precisamos dele para nos levar para a paz e uma saída para isso. Se você pegar Muammar Kadafi fora da equação um lado todo entrará em colapso e se tornar uma presa fácil para o outro lado. É por isso que as pessoas estão lutando por Kadafi.

Você não pode privar milhões de pessoas do líder que escolher e eles querem e deixá-los ser fácil orar por um lado, vingativo ódio, desorganizada, sem uma liderança adequada, você viu que eles mataram seu próprio comandante de seu exército, eles são penetradas com Al-Qaeda elementos, eles são muito tribal.

Assim, mantemos o mundo responsável. Eles já cometeram crimes em Tripoli, eles queimaram casas em Tajoura, em Souk el Juma, no Tashnoun, em Al-Arada, eles seqüestraram pessoas, eles mataram pessoas andando nas ruas que eram cidadãos comuns só porque eles foram bem conhecidos os apoiantes do governo, as pessoas não militares, mas civis apenas normal, eles atacaram lojas que tomaram dinheiro de lojas, ea luta ainda não acabou.

Nós estamos realmente lutando contra eles e derrotá-los em muitos bairros, e ainda apesar de não ter sofrido, no entanto, eles já começaram a sua onda de crimes. Se queimando casas, queima de carros, seqüestros de pessoas, matando pessoas nas ruas não é crime, então o que é. O mundo não pode alegar que não sabia.

Desde manhã cedo você sabe que você precisa parar este desastre ocorra. Quanto a nós, vamos lutar, temos cidades inteiras ao nosso lado, eles estão vindo em massa de todos os lugares para proteger Tripoli para se juntar a luta, as pessoas têm o direito de lutar por si mesmos e suas famílias e seus bens e seu futuro.

As pessoas não vão desistir. Eu converso com as pessoas e perguntar por que você está lutando, ea resposta é sempre: eu não tenho outra saída. Eu quero paz, para se sentar, negociar e acabar com essa loucura, se eu não luta eu seria morto, porque eu pertenço a uma família que apoiou o governo, ou eu pertenço a uma tribo que fez a sua voz clara, ou Eu pertenço a um bairro ... para que as pessoas estão aterrorizadas e lutando por medo, e do outro lado (os rebeldes) estão lutando por medo também.

A OTAN não deve dar apoio imediato e direto para um dos lados em uma guerra civil. Isso é ilegal e imoral. Um lado está a matar e a OTAN está a dar-lhes apoio militar total.

A OTAN será responsável, moral e legalmente, para as mortes ocorrendo em Tripoli, esta noite, ontem à noite e nas próximas noites. Eles não podem dizer que isso não era esperado para acontecer. Eles estão atacando a nossa cidade e de fato mataram muitas crianças, muitos homens e muitas mulheres.
Vamos lutar porque temos o direito de defender nosso povo. Temos nosso lider Kadafi, ele nos levou a esse confronto pela dignidade e nossa liberdade, contra a agenda da OTAN.
Kadafi deve levar-nos para a nossa paz, nossa democracia e nossa negociação."

Retirado de: http://amarchaverde.blogspot.com/2011/08/tripoli-ontem-quase-2-mil-mortos-e-5.html

Comentários sobre a guerra na Líbia - Tripoli

ATUALIZAÇÃO:

Um camarada libio(Maximus Al Islam, 24 anos, estudante e membro da resistência) entrou na internet aqui e deixou claro que a praça verde tá tranquila E EXATAMENTE como já coloquei eles estão esperando os ratos entrar pra poder massacra-los. Os bombardeios prosseguem.

"NAO ACREDITE NELES, SOMOS VERDES A VIDA INTEIRA"

Em breve posto a conversa.

As forças rebeldes-mercenárias apoiadas pela OTAN vem avançando sobre Tripoli desde ontem. O bombardeio constante cessou, e as forças pro-Kadafi, apesar de desmoralizadas pela força aéria, terão a oportunidade de lutar contra os rebeldes corpo-a-corpo numa batalha decisiva - a entrada na cidade não significa nada em termos estratégicos, há tempos a "guerra como tomar cidades" já foi superada e no máximo podemos falar em uma armadilha. O número de mortos e conflito constante desmente a ideia de "vitória certa"(dos "rebeldes") espalhada pela grande mídia, que provavelmente conduz uma campanha de desinformação ao cantar vitória em nome dos "rebeldes". Uma vitória da OTAN seria uma grande vitória do imperialismo, uma derrota da independência dos povos e aumento do poder da oligarquia petrolífera. Torço para a vitória do povo líbio sob as forças mercenárias, os monarquistas, entreguistas e fundamentalistas religiosos - a OTAN não pode vencer, pois isso é uma derrota para os povos do mundo. Isso não é ideologia e sim pura geopolítica, uma vitória da OTAN é ampliação de uma hegemonia e mais petróleo para o sistema. Os mercenários, transportados pela OTAN e desde o inicio do conflito já empregados por empresas petroliferas, deverão sofrer as consequências de sua ambição e perecer em batalha.

Leonor Massanet, informa em seu blog(com informações constantes diretas da Libia):

"Desde Libia.... Morris
El número de mercenarios se han incrementado debido a que están llegando desde el mar en pequeñas embarcaciones de la OTAN dirigida por las fuerzas especiales de todas las naciones agresoras."
"El gobierno Libio ha mandado parte del ejército a Trípoli a defender la ciudad de las agresiones de los mercenarios.
La OTAN transportó con sus helicópteros a los mercenarios al barrio de Tajura. Desde el principio empezaron a disparar y agredir a la población.
La Otan continua castigando a la ciudad de Tripoli con sus bombas.
Al contrario de lo que dicen los medios de desinformación el hijo del lider libio Khamis se encuentra perfectamente y es falso que hayan encontrado su cuerpo sin vida.
Ghadafi ha hablado hoy a su pueblo.
La CIA y M16 en el Hotel Rixos.
El guarda personal de Saif al Islam ha dicho que se encuentra muy bien al igual que toda la familia del Líder."

http://leonorenlibia.blogspot.com/

Entrevista com morador de Tripoli:

"Ma mi si dice anche che l’Hotel Rixos, quello dei giornalisti occidentali che hanno segnalato alla Nato i posti di blocco da bombardare, è al centro di combattimenti, con il figlio di Gheddafi che guida la difesa. In ogni caso, la celebrazione dei golpisti in Piazza Verde, trasmessa dalle tv, è un falso. In Piazza Verde la notte scorsa è comparso Gheddafi davanti a un’immensa folla di sostenitori." - "As fotos de 'comemorações rebeldes' na Praça Verde são uma MENTIRA", Fulvio Grinaldi com informações de Trípoli, http://fulviogrimaldi.blogspot.com/2011/08/stretta-finale-mai.html




LIBIA RESISTE, AVANTE KADAFI. O POVO SOVIÉTICO TRIUNFOU SOBRE OS FASCISTAS DA ALEMANHA, O POVO LIBIO TRIUNFARÁ SOBRE OS CAPITALISTAS DA OTAN - COM OU SEM KADAFI!

domingo, 14 de agosto de 2011

Stálin, psicopata?


"Além disso, sob situações de stress, tais como em guerras, pobreza geral e quebra da economia, surtos epidêmicos ou brigas políticas, etc., os sociopatas podem adquirir o status de líderes regionais ou nacionais e sábios, tais como Adolf Hitler, Stalin, Saddam Hussein, Idi Amin, etc. Quando eles alcançam posições de poder, eles podem causar mais danos do que como indivíduos."

Este é um trecho do texto "O Cérebro do Psicopata" de Renato M.E. Sabbatini, autor que por sua vez ostenta o título de PhD, mas como veremos a seguir tal nível acadêmico não o torna imune ao senso comum e a truísmos preconceituosos. Ao citar Stalin como sociopata, Sabbatini reflete a concepção de alguns autores que, provavelmente tendo em conta "atos maldosos de Stálin"(estes não serão debatidos aqui), concluem que Stálin era um sociopata, inclusive desenvolvendo trabalhos em cima disto. Esse tipo de esforço é pura especulação(além de inútil para ciência histórica), ainda mais na ausência de qualquer laudo médico sobre a saúde mental de Stálin. R. Overy em seu livro Dictators reafirma o caráter especulativo e irrelevante desses esforços, optando por dizer que não é possível saber. Mas, observando certos fatos podemos afirmar com certeza que Josef Stálin não era um sociopata. Vejamos dois trechos sobre as reações de Stálin para com a morte de suas mulheres, uma durante a clandestinidade e outra nos anos do poder(casos que podem ser verificados em outras obras):

(em "Stálin", Dorothy e Thomas Hoobler, Nova Cultural, 1987)

Stálin parece tê-la amado muito e, quando Ekaterina moreu ainda muito jovem, em 1907, disse consternado, ao lado do caixão: "Ela era a única criatura que conseguia entender meu coração. Com ela, morreu uma parte importante da minha vida". Apontou para o próprio coração e continuou: "Está tudo vazio aqui, tudo absolutamente vazio... é impossível dizer o quanto..." (pg.20)

A morte de Nadezheda parece ter abalado o equilíbrio emocional de Stálin, durante algum tempo. Em uma reunião do Politburo, ele repentinamente começou um discurso em que renunciava a todos os cargos que ocupava, criando para os companheiros da cúpula do partido uma situação de espanto e constragimento. Para fazê-lo voltar à razão, um dos presentes: Vyacheslav Molotov, gritou: "Para com isso! Pare, imediatamente! O partido está ao seu lado!" (pgs.55-56)

Outro exemplo seria a ocasião em que ele salvou a sua futura mulher(que ainda era um bebê) e podemos encontrar milhares de exemplos nas memórias de sua filha. Esse tipo de reação emocional, apego e consideração para com outras pessoas são características inexistentes num psicopata. Psicopatas não tem emoções e o próprio Sabbatini dedica uma seção do seu texto para falar sobre isso, "Emocionalmente Insensíveis". Esses são dois exemplos que demonstram que, independente do julgamento moral feito acerca de supostas ações de Josef Stálin, ele certamente não portava o transtorno de personalidade antissocial.

Nota: sociopatia e psicopatia definem a mesma coisa, ou seja, Transtorno de Personalidade Anti-Social.

sábado, 13 de agosto de 2011

A vida em Tocache sob o Sendero Luminoso

O Sendero Luminoso foi uma guerrilha comunista(orientação maoísta) com a base formada majoritariamente formada por camponeses pobres e que atuou no Peru principalmente durante os anos '80, perdendo força posteriormente com a prisão de seu líder, Abimael Gúzman. No texto a seguir, Santiago Roncagliolo entrevista Nancy Obregón, que viveu em uma região controlada pela guerrilha. Presente na obra "A Quarta espada - A HISTÓRIA DE ABIMAEL GÚZMAN E DO SENDERO LUMINOSO", o trecho esclarece bem o contexto violento da guerra civil peruana e o comportamento do Estado frente a insurreição, o que por sua vez explica certos "abusos" por parte da guerrilha.

"Nancy cresceu perto daqui, nos bairros populares de Lima, onde sua família criava porcos. No final dos anos 1980, a economia familiar se complicou cada vez mais, até que os pais decidiram retornar ao seu lugar de origem. "Aqui, viviamos na mais extrema pobreza, sem possibilidades de educação ou de crescimento. Meus pais são camponeses de selva, onde a família pelo menos podia trabalhar junta, cultivando para todos comerem. Então, voltaram para lá."

A jovem Nancy ficou em Lima, pois tinha um trabalho na Força Aérea Peruana. E um marido. Mas visitava sua família com frequência. Assim conheceu de perto a selva. No final dos ano 1980, a província selvática de Tocache era um lugar onde "morria gente em cada esquina. Em Tocache, você não podia olhar um narco na cara. E todos eram narcos armados. Todas as noites havia festas, e todas as noites havia mortos. Assaltavam as pessoas, estupravam as mulheres e controlavam a polícia, que protegia seus negócios".

Segundo Nancy, os traficantes pagavam 30 mil dólares para cada vôo com coca que saía de Tocache. E saíam dez vôos por dia. Uma parte desse dinheiro era para a polícia, e outra parte ficava para os municípios. "O primeiro andar da Municipalidade Provincial de Tocache, por exemplo, foi construído com dinheiro do narcotráfico."

Um dia, em visita à região, Nancy foi passear com o marido pelo monte e encontrou gente armada que os chamava de "companheiros". Não era necessário ser um especialista para reconhecer as colunas do Sendero Luminoso, que então iniciavam suas incursões por aquela zona. Nancy e o marido estremeceram: ela era militar e ele, policial. "Tínhamos ouvido falar do Sendero, mas nunca o tínhamos visto. No entanto, a cortesia e a educação deles nos surpreenderam. Gente preparada, universitária, alguns branquinhos como você. Começavam a se aproximar das aldeias mais violentas e mais golpeadas pela máfia. Ali, o Sendero começou a matar os malfeitores, expulsou as prostitutas, limpou Tocache e declarou uma guerra frontal à máfia. E as pessoas começaram a respaldá-los. Fala-se de narcoterrorismo, de vínculos entre o Sendero e os traficantes. Mas o Sendero jamais apoiou os narcos. O Exército e a polícia sim, esses os defendiam. Até cuidavam das casas deles."

A vida em Tocache era uma corda bamba: você caía ou para um lado ou para o outro. Embora fossem membros das forças da ordem, Nancy e o marido não podiam informar seus comandos em Lima sobre o que acontecia na selva. Em primeiro lugar, não podiam denunciar que seus colegas se comportavam pior que os subversivos. Em segundo lugar, temiam ser ouvidos por infiltrados senderistas. "Parece mentira, mas, se dissémos algo em Lima, na selva se sabia de imediato. E na selva estavam nossas famílias. Se contássemos o que acontecia, teríamos problemas com o Sendero. "

Num país ainda abalado pela lembrança da guerra, é muito ousado dizer algo assim. (....)

Quando ela fala, é o Estado que parece um agrupamento terrorista. O Sendero, em contraposição, atua como um Estado.

Num dia de 1990, o Sendero decretou uma paralisação armada em Tocache, onde Nancy morava. Para contê-la, a polícia entrou num vilarejo da zona. Cortou os seios de mulher e mataram várias crianças. Os moradores tiveram que correr para salvar a vida.

A vingança do Sendero não foi mais amável: os guerrilheiros procuraram os autores do massacre e os aniquilaram um por um. (...)

"Então aprendi a ver o Sendero Luminoso como um leão que só mata quando tem fome", diz Nancy. "Os senderistas não estupravam e nem torturavam, ao contrário, respeitavam até os prisioneiros que iam executar. (...) Além disso, enfatizavam muito a educação. Diziam que a má educação era um resquício do Estado colonial dos espanhóis e que, se quiséssemos fazer um novo Estado, tinhamos de começar por respeitar."

Os senderistas instalavam escolas e impunham uma rígida moral nos territórios que controlavam. (....)

Para os "companheiros", era necessário conservar o vinculo da família a fim de mudar o país. As mulheres não podiam usar minissaias e os palavrões eram proibidos, assim como a infidelidade. Seus princípios básicos eram não ser ladrão, não ser dedo-duro e não ser ocioso, uma adaptação guerrilheira das três leis do Império inca. Vagabundos e bêbados eram proscritos. As prostitutas eram afastadas das aldeias mas podiam trabalhar, desde que não fossem escandalosas.

Segundo Nancy, as fofoqueiras também recebiam castigo. Tinham de limpar a aldeia com um cartaz nas costas que dizia : "Isto me acontece porque eus ou mexeriqueira."

A estratégia política do Sendero era criar Estado onde não o havia. Além da educação, eles assumiam funções de poder judiciário. Nancy assistiu a um de seus julgamentos sumários. O réu, um homem conhecido no lugar, era acusado de estupro e assassinato. Nancy não conseguia acreditar. Ela conhecia o homem. Disse que aquilo era uma calúnia. Pela primeira vez, a aldeia se rebelou contra o Sendero. as pessoas vieram defender o réu. A mulher dele chorava. Perguntaram aos senderistas que provas eles tinham do delito. "Os guerrillheiros nos mostraram a vítima. Numa de suas patrulhas, haviam encontrado a moça, meio morta, rodeada pelos cadáveres dos irmãos e do marido, assassinados pelo acasuado na noite anterior. Então a levaram a uma aldeia próxima e trouxeram um médico à base de pancada. A moça passou um mês convalescendo, ams se curou. No dia do julgamento, apareceu para acusar o assassino diante de toda a aldeia. Estava totalmente vendada. Ele começou a correr, mas o senderistas o alcançaram. Quando iam matá-lo, empunharam as metralhadors. Logo na quinta tentativa, explodiram seus miolos. Disseram que só iam enterrá-lo porque ele era conhecido na aldea. mas em princípio, diziam, aquele miserável devia apodrecer ao relento."

Parece difícil entender que isso fosse bem recebido pela população. Mas fica mais compreensível se compararmos com o comportamento do Estado peruano, no qual a corrupção alcançava níves de história de terror; no final de 1991, numa nova legislação reduziu o poder da divisão policial de narcótico e outorgou amplos poderes na região às Forças Armadas. Atrás delas - ou talvez bem mais à frente - etava Vladimiro Montesinos, o assessor de Inteigência do presidente Fujimori.

Pouco depois, o major Evaristo Castillo descobriu que seus companheiros de aamras encobriam e apoiavam os narcos, aos quais passavam informações. Denunciou isso às mais altas instâncias. O comando agradeceu mandando revista sua casa e confiscar seus documentos, e depois o expulsou por "insultar seus superiores".

Em 1996, o narcotraficante Demetrio Chávez Peñaherera, durante seu julgamento, admitiu que ante a imprensa que pagava 50 mil dólares mensais a Montesinos para que este sabotasse as possíveveis batidas da DEA(Drug Enforcement Administration, Força Administrativa de Narcóticos) norte americana e garantisse a segurança de suas remessas de cocaína. Além disso, Chávez tinha aberto um bordel para os soldados e arcava com os gastos deles nos restaurantes. Considerava que isso fazia parte do seu "apoio à luta contra-subversão". (...) O Ministério Público não investigou.

O traficante estava isolado num quartel militar. Não lhe eram permitidas visitas. Dias depois, em seu comparecimento seguinte ao tribunal, apareceu drogado. Seu discurso era incoerente. Ele não articulava as orações. Negou o que dissera na vez anterior. O advogado protestou pelo estado de saúde do preso e porque não o tinham deixado vê-lo antes da sessão. Seu protesto foi negado.

Assim, portanto, as Forças Armadas, que tinham ordem de acabar com o Sendero na zona, eram mais corruptas e brutais. Nancy recorda particularmente um militar, o capitão Cienfuegos, "que uma vez arrancou a orelha de um senderista diante de toda aldeia, inclusive das crianças, em plena luz do sol, e jogou sal na ferida".

A famiília de Nancy também sofreu vexames naquele ano. Certa madrugada, entraram em sua casa uns encapuzados, jogaram seu marido no chão e partiram para cima dele aos chutes. Sua mãe também foi jogada no chão com um pontapé. Nancu devolveu os chutes e desarmou um soldado. Os atacantes meteriam o cano de um fuzil automático na boca do seu filho. O menino tinha 3 anos.

"Eles diziam que eram terroristas e tinham vindo porque, dias antes, havíamos recebido em casa um destacamento militar que nos pedia água. na realidade, nós os reconhecemos apesar dos capuzes. Eram esse mesmo destacamento militar. E queriam levar minha televisão colorida."

O problema é que eles eram péssimos atores. Disseram: "No chão, filhos-da-puta!", e entraram com muita violência. Nancy e seu marido, que tinham estudado táticas contra-subversivas, sabiam que quema ge assim não são os guerrilheiros, mas os militares. Os guerrilheiros, segundo ela, cumprimentam com respeito, chamam seu prisioneiro de "companheiro", explicam a ele muito corretamente por que vão matá-lo e o executam com um tiro. (...)

Segundo Nancy, "os senderistas também cometeram excessos e erros. Não mais, porém, do que os narcos e não mais do que os miitares, pelo menos em Tocache".

Por isso mesmo, ali as colunas senderistas resistiram até muito epois da queda de Abimael Guzmán. (...) Em contraposição, na outra frente, a capital, o sucesso no fim das contas não foi completo e retumbante. Nas cidades, os guerrilheiros estão mais expostos e as autoridades, mais estabelecidas. Hobsbawn já havia advertido sobre os riscos:

Por maior que seja o apoio insurrecional nas cidades, e mesmo que a origem dos seus dirigentes seja urbana, as cidades, e especialmente as capitais, são o último reduto que um exército guerrilheiro capturará. São o último ponto que um guerrilheiro atacará, a menos que esteja pessimamente aconselhado."