quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A "Revolução" da OTAN

O avanço das "forças rebeldes" é proporcional ao aumento dos crimes da OTAN, a destruição de infraestrutura e o massacre do povo líbio que vem ocorrendo nos ultimos quatro meses. Isso quer dizer que quanto mais avança a peste mercenária, maior o desprezo do povo líbio por ele e maior seu apoio a Kadafi, maior sua fibra de resistência.

A "Revolução" na Líbia nada mais é que tribos mercenárias massacrando o povo por terra e aviões estrangeiros fazendo isso pelo ar. A resistência permanece, com ou sem Kadafi - e já não é a primeira vez que a Líbia enfrenta opositores somados a bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte.

"Rebelión – [Basem Tajeldine, tradução do Diário Liberdade] Mais de 4 meses de intensos bombardeios da OTAN; mais de 4300 operações aéreas e centenas de bombas de precisão feitas a partir de urânio empobrecido [1], que foram jogadas indiscriminadamente sobre o povo líbio desde o início das agressões imperiais contra a Líbia, causando a morte de mais de 1000 civis inocentes e ferindo outros milhares mais, e nada parece abalar o governo líbio.

Intensificam-se os bombardeios e massacra-se o povo líbio com a falsa desculpa de “defender suas vidas”; no entanto, ninguém sabe explicar o porquê do povo líbio ainda se manter firme e leal ao seu governo e ficar na resistência diante das mais duras condições do bloqueio econômico criminoso e frente ao sistemático terrorismo de Estado exercido pelos países da OTAN.

Os infames “aliados” da OTAN não esperavam encontrar tamanha resistência popular líbia. Muitos estão confusos. Como é possível que o suposto “monstro e genocida” – como a mídia descreve Gaddafi – tenha resistido a semelhantes ataques, por várias frentes, e conte ainda com a coragem de muitos líbios? Porque os “rebeldes” não conseguiram, por terra, varrer com “o tirano” mais odiado por seu povo? Onde reside a força de Gaddafi?

Estranhas são essas missões “humanitárias” que matam civis inocentes e destroem toda a infraestrutura civil de um país com a desculpa de defender o povo líbio. Estranhos são esses “rebeldes” ou “revolucionários”, ou melhor dizendo – segundo a mídia internacional – “civis armados” que enfrentam o governo de Muammar Al Gaddafi, apoiados por forças estrangeiras. Estranho são seus líderes reunidos no Conselho de Transição Nacional (CTN), que exigem do estrangeiro dinheiro e mais armas para assassinar aos seus próprios irmãos líbios. Mentirosos são os jornalistas membros das redes transnacionais que todos os dias relatam sobre os supostos avanços dos grupos “rebeldes”, e nos mostram vídeos absurdos sobre combates falsos entre rebeldes e tropas líbias, enquanto as zonas com supostas disputas continuam sob o controle do exército e das milícias populares leais ao governo líbio. Estúpidos são aqueles que acreditam em todas essas mentiras e fazem eco do falso discurso imperial. Perguntemo-nos algo: se o povo líbio odeia Gaddafi, porque depois de 4 meses de intensos bombardeios os “rebeldes líbios” não avançam e tomam o controle da zona mais populosa da Líbia, a capital Trípoli? Podem denominar-se “rebeldes líbios” aqueles que cumprem as ordens militares das potências imperiais, garantem a destruição de seu próprio país e a morte de seus irmãos, e, frente aos seus próprios fracassos militares, não tentam negociar uma saída e reconciliação com a outra parte? Gozam de autonomia esses “rebeldes”? Ou são mercenários descarados a serviço das potências estrangeiras? Rebeldes são os povos e sua vanguarda que luta contra o sistema imperante em razão de ideais progressistas. É à realidade e proceder destes grupos que me remeto. Os mal chamados “rebeldes líbios” não são mais que mercenários vulgares a serviço da OTAN, que tenta impor os interesses dos seus senhores. Sua existência e ação na Líbia foram produto de um plano claramente orquestrado com muita antecedência e preparação, tal como escrevem muitos outros investigadores do conflito líbio [2].

Estive presente na Líbia nos momentos mais difíceis da agressão imperialista da OTAN, e testemunhei o que realmente sucede lá, a mais cruel, crua e triste realidade que enfrenta esse povo irmão [3]. Isso me permite ratificar tudo o que tenho escrito. As tropas líbias não enfrentam diretamente os grupos mercenários. Não. O exército líbio resiste à agressão imperial da força aérea da OTAN, que bombardeia a população e limpa o terreno, que depois será ocupado pelos mercenários. Estes cumprem o triste papel, encomendado pela OTAN, de exército de ocupação. Após o recuo tático do exército líbio, frente ao bombardeio, imediatamente se produz o contra-ataque líbio, que afugenta os mercenários covardes.

Cada dia que passa sem que a OTAN consiga alcançar o declarado objetivo de assassinar Gaddafi – violando a própria Resolução 1973 da ONU – os grupos mercenários ficam mais desacreditados ante os poucos líbios iludidos que ainda existem, e também frente ao mundo. Quanto mais dura a agressão, e as máscaras das forças mercenárias imperiais vão caindo, mais cresce a resistência militar e popular do povo líbio, em moral e determinação para continuar lutando.

A OTAN e seus aliados sabem que o tempo joga contra eles, que a consciência e o ódio do povo líbio contra eles cresce na medida em que aumentam seus crimes.

Aqui está o segredo revelado que explica uma das razões da força de Muammar Al Gaddafi. A pior desgraça para um exército colonizador são as mentes descolonizadas e um povo decidido a morrer pelo que crê.

Basem Tajeldine é membro do Centro de Saberes Africanos."


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