segunda-feira, 4 de março de 2013

A Arte Musical na Coreia do Norte - PARTE II

PARTE II - O CONTEÚDO REVOLUCIONÁRIO

Dando continuidade a série sobre a arte musical na Coreia do Norte vou falar um pouco mais especificamente sobre a questão política dentro da música, como observei no ultimo artigo. 

 Deve ser revolucionária em seu conteúdo.  Quer dizer, ela deve ser combativa,ter as massas populares como o centro e descrever as ideias e sentimentos das massas populares independentes e revolucionárias, refletindo seus entusiasmos, suas reclamações, aspirações, aflições etc.  Deve levar em conta a diversidade das experiências na existência e na luta. Ignorar o conteúdo seria uma manifestação negativa de esteticismo e formalismo, não contribuindo com a educação revolucionária, o que implicaria em conseqüências perniciosas.

“A música genuína há de cantar ao homem que tem por vida a independência, é fiel ao coletivo sócio-político, e leva a vida dentro deste ente sócio-político.” (KIM, Jong Il. “Arte Musical” , 17 de julho de 1991. Kim Jong Il – OBRAS ESCOGIDAS, Tomo XI Ediciones en Lenguas Estranjeras, Pyongyang , Coreia, 2006. Pg. 379-380)

Isso não quer dizer que a música coreana se reduza a assuntos propriamente políticos, a canções sobre o líder, o partido, o estado, a pátria – a idéia revolucionária é um pouco mais abrangente. Kim Jong Il mesmo especifica que o “conteúdo revolucionário” não se reduz a fazer músicas sobre a luta política das massas, manifestações, guerrilha, etc. Lembro de ter escutado uma música famosa sobre uma cientista que passa 15 anos estudando um determinado tipo de grão. Músicas sobre a produção (mineiros, operários) também são muito comuns. Existem também músicas sobre o amor, apesar de ser uma minoria.

Frente a estas considerações, é provável que alguns falem de “totalitarismo”, “ditadura”, “ataque a liberdade de criação”. É tolo pensar que a “música global” não possui fenômenos análogos e ingenuidade pensar que ela é “livre” de imperativos sócio-econômicos.  A música global atualmente incentiva valores relacionados ao consumismo, ao egoísmo e ao hedonismo fugaz.  Alguns vão protestar e dizer que minha comparação é inválida já que esse tipo de música não é “produzida pelo Estado”. Assim como no “Ocidente” existem instâncias e estruturas que produzem a música, a Coreia possui as próprias instâncias (onde grande parte da “responsabilidade musical” recai sob estudantes de música, aqui muitas vezes marginalizados; existem também grupos musicais de bairro, local de trabalho, etc).  No “Ocidente” produtoras, gravadoras, rádios e toda a indústria musical de uma forma orgânica esperam do artista aquela música com determinadas características. A diferença é na Coreia a música não foi feita para atender o capital e sim para formar um cidadão disposto a morrer pela pátria (hipérbole). Mais comunistas patriotas e menos liberais niilistas. A música é, no geral (não só na Coreia), ferramenta de educação política e ideológica, de formação moral.





Por fim, segue a música “Não pergunte meu nome”, que conta a história de uma funcionária local do partido muito reconhecida por seu trabalho, porém igualmente humilde. É do período da “Árdua Marcha”, anos ’90, quando a RPDC passou por grandes dificuldades não só com os alimentos como também na produção em geral.  É possível colocar legendas em inglês no Youtube.




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