quarta-feira, 15 de maio de 2013

Cresce o número de milícias anti-governo nos EUA




O número de grupos patriotas radicais e milícias que se opõem ao governo nos EUA foi de 149 em 2008 a 1360 em 2012. Segundo o Southern Poverty Law Cent, responsável pela pesquisa, a tendência é que esses grupos continuem a crescer como reação a ofensiva desarmamentista de Obama. Segundo o centro, o aumento crescente desses grupos começa com a eleição de Barack Obama e a intensificação dos problemas econômicos do país.

"O segundo mandato do Presidente Obama e o movimento de controle de armas estimulado pelo massacre na Escola Elementar Sandy Hook está intensificando a fúria anti-governo e vai resultar em mais crescimento para os grupos", disse um representante do centro. Daryl Johnson, ex-analista de inteligência acerca de terror doméstico, disse que a capacidade desses grupos infringir violência em massa é um tanto quanta alta. Essas organizações estocam armas e realizam diversos exercícios militares de treinamento, além de outras atividades de sobrevivência, solidariedade e vida política em geral. Segundo o centro, é preciso ainda lidar com o espectro da possibilidade desses movimentos se insurgirem contra o governo.

Verificou-se também uma intensificação na retórica dos grupos. "O governo dos Estados Unidos segue a agenda da ONU", "estamos a beira de uma Guerra Civil", "a lei marcial é uma possibilidade real", "o Estados precisam defender a liberdade antes que os cidadãos tomem o problema com as suas próprias mãos".

No geral, a ideologia do "movimento de milícias" expressa o que podemos chamar de conservadorismo jeffersoniano. São localistas e anti-federalistas*, se opondo a um Estado central forte, a muitos impostos e a Federal Reserve. São chamados de patriotas" provavelmente devido seu declarado comprometimento com os princípios da Revolução Americana e sua constituição, especialmente com a Segunda Emenda (sobre o direito a portar armas). Movimento majoritariamente rural, também expressa desconfiança em relação a entidades internacionais (ONU, Banco Mundial) e grandes corporações. Acusa o Estado Federal de "fascista" e identifica a agenda governamental como um processo de implantação do que eles chamam de "socialismo"(entendido como limitações aos direitos de propriedade, desarmamento, mais impostos e intervenção estatal que favoreça as grandes corporações e bancos internacionais em detrimento dos pequenos proprietários e trabalhadores).

Esses dados podem escandalizar muitos "esquerdistas" do Brasil (muitos admiradores de Barack Obama ou pelo menos de suas "políticas sociais" e/ou desarmamentistas) pelo fato de se tratarem de grupos de "direita", o que é, aparentemente, uma posição irrefletida. É preciso questionar as razões da proliferação desses grupos. Quais são os limites do consenso e do consentimento político na sociedade norte-americana?    Seriam esses sinais de uma possível ruptura? O Estado numa situação normal precisa do consentimento de seus súditos, mais ainda quando esses são cidadãos, se isso não ocorre, estabelece-se um conflito entre entidades políticas distintas pelo estabelecimento de seus próprios projetos de Estado. Independente da auto-imagem de cada um desses grupos, é notável que este crescimento ocorra num momento de crise capitalista e como reação ao governo responsável por salvar grandes corporações com suas intervenções econômicas. Este tipo de movimento tende se aprofundar com o aprofundamento de crises (não econômicas como também políticas), e certamente isso implica num fator de instabilidade interna assim como põe em cheque a política exterior dos Estados Unidos da América.


"Esta máquina mata fascistas", diz a inscrição.

*É preciso compreender isso dentro do conflito entre federalistas e anti-federalistas que se deu nos primórdios da Revolução Americana. Os federalistas, que contaram com uma figura como Alexander Hamilton, defendiam um governo central forte, mais unificado, mais rico (i.e. mais impostos), coeso, com um executivo mais poderoso, composto pelos elementos mais experientes e talentosos (a ampliação da burocracia profissional) , a criação de um exército permanente, mandatos mais longos e mais limitações sobre o poder popular, muito disso como uma reação a rebeliões e a rejeição de certos impostos e medidas administrativas por parte de assembleias locais; contavam principalmente com membros da classe proprietária mais bem educada, alguns membros da burocracia, a maioria proveniente das costas americanas. Os anti-federalistas, que tinham Jefferson como uma das principais cabeças, defendiam maior autonomia local, maior autonomia das unidades federativas, eleições anuais de representantes e uma carta de direitos (considerada superfiluá pelos federalistas); tinham um forte apelo entre as classes populares, pequenos fazendeiros e individuos endividados.

Fonte: http://www.usatoday.com/story/news/nation/2013/03/05/southern-poverty-law-center-militias-gun-control/1964411/

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