quarta-feira, 22 de maio de 2013

Venner está morto, vida longa a morte!



"Nós devemos também lembrar, como brilhantemente formulado por Heidegger em Ser e Tempo, que a essência do homem está em sua existência e não em "outro mundo". É aqui e agora que nosso destino é apostado até o último segundo. E esse segundo final é tão importante quanto o resto de uma vida. É por isso que é necessário ser você mesmo até o último momento. É ao decidir, ao verdadeiramente querer o próprio destino, que se conquista o nada. E não há escapatória dessa demanda, porque nós só temos essa vida, na qual é nosso dever sermos plenamente nós mesmos - ou sermos nada." (Dominique Venner em seu último artigo, "Os Protestos de 26 de Maio e Heidegger")

No dia 21 de Maio de 2013, o historiador, escritor e militante político Dominique Venner deu fim a sua vida com um tiro em frente ao altar da Catedral de Notre Dame. Conservador revolucionário (chamado por alguns de "extrema-direita") e inimigo do Estado francês, era antes de tudo um inimigo da modernidade. Num ato visto como protesto contra o casamento gay na França, porém de dimensões metafísicas mais profundas, Venner morreu como um nietzschiano e, mais do que isso, como um pagão. O gaulês Brannos, que seguiu Bolgius, filho de Segovesus, até a Macedônia e com Chichorius liderou hordas celtas até Delfos, cometeu suicídio ritual após completar conquista. Cumprida sua missão, estava pronto para partir para o outro mundo de forma ritual, dando a condescendência divina a tomada de posse daqueles lugares por seu povo. Vercingetórix, o último caudilho gaulês, entregou sua vida em Alésia para salvar a de seu povo, frente a ameaça de massacre vinda de um gigante como Júlio César. Nas grandes epopéias célticas os grandes deuses e heróis morrem ou são derrotados no final, mesmo adquirindo a imortalidade e os dons do espírito.

"O celta não luta para ganhar, luta porque tem de fazê-lo, porque a própria vida é uma guerra cujo o principal inimigo, a morte, é invencível e sempre acaba nos deixando de joelhos. Sua alegria está em saber que nunca será totalmente derrotado, já que ele não desaparece com a morte. Simplesmente descansará no Outro Mundo antes de retornar, pronto para um novo combate." (Pedro Pablo G. May)

Segue a despedida de Venner, "As Razões para uma Morte Voluntária":

Eu estou sadio em mente e corpo, e estou repleto de amor por minha esposa e filhos. Eu amo a vida e não espero nada além, senão a perpetuação de minha raça e minha mente. Porém, no entardecer de minha vida, me deparando com imensos perigos para minha pátria francesa e europeia, eu sinto o dever de agir enquanto eu ainda tenho forças. Eu creio ser necessário me sacrificar para romper a letargia que nos empesteia. Eu entrego o que resta de vida em mim de modo a protestar e fundar. Eu escolho um local altamente simbólico, a Catedral de Notre Dame de Paris, que eu respeito e admiro: ela foi construída pelo gênio de meus ancestrais no local de cultos ainda mais antigos, reclamando nossas origens imemoriais.

Enquanto muitos homens são escravos de suas vidas, meu gesto corporifica uma ética de vontade. Eu me entrego à morte para despertar consciências adormecidas. Eu me rebelo contra o destino. Eu protesto contra venenos da alma e os desejos de indivíduos invasivos de destruir as âncoras de nossa identidade, incluindo a família, a base íntima de nossa civilização multimilenar. Enquanto eu defendo a identidade de todos os povos em seus lares, eu também me rebelo contra o crime da substituição de nosso povo.

O discurso dominante não pode deixar para trás suas ambiguidades tóxicas, e os europeus devem lidar com as consequências. Carecendo de uma religião identitária para nos ancorar, nós partilhamos de uma memória comum que volta até Homero, um repositório de todos os valores nos quais nosso futuro renascimento será fundado uma vez que rompamos com a metafísica do ilimitado, a fonte dolorosa de todos os excessos modernos.

Eu peço desculpas antecipadamente a qualquer um que venha a sofrer com a minha morte, primeiramente e mais importantemente a minha mulher, meus filhos, e meus netos, bem como a meus amigos e seguidores. Mas uma vez que a dor e o choque se dissipem, eu não duvido que eles compreenderão o significado de meu gesto e transcenderão seu pesar com orgulho. Eu espero que eles resistam juntos. Eles encontrarão em meus escritos recentes intimações e explicações de minhas ações.

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