sexta-feira, 7 de junho de 2013

Peleguismo petista mostra as garras com Paulo Henrique Amorim



A caneta de aluguel de Paulo Henrique Amorim se fez de porta-voz do peleguismo e das concessionárias de transporte de São Paulo. Apelou a preconceitos e lugares comuns chamando manifestantes de "brancos de classe média" e dizendo que "não haviam trabalhadores nos protestos". Não contente em condenar manifestantes, foi conivente com a repressão brutal, omitindo-a de seu comentário. Apesar de alguns petistas manterem uma posição coerente (como Sakamoto, a nível de figura pública), os setores mais pelegos do petismo surtaram e acusam as manifestações contra o aumento da passagem de ser "armação do PSDB".  


Mais uma vez a Prefeitura de São Paulo, não contente em fornecer subsídios, deu carta branca para o aumento da passagem do transporte público a favor das concessionárias e em detrimento do usuário. A única diferença é que, dessa vez, não foi nem Serra nem Kassab, foi um petista que decretou o aumento - Fernando Haddad. Isso não é de se impressionar, afinal ele foi eleito para representar esses interesses e os das empreiteiras que financiaram 65% de sua campanha (no restante pode-se incluir 200 mil doados pela empresa do bilhete único), a despeito da secretaria municipal do PT ter feito campanha na época do ultimo aumento chamando os jovens para as ruas por que "R$ 3,00 é um roubo"(R$ 3,20 é o que?). De qualquer forma (com ou sem PT), organizam-se protestos contra o aumento, principalmente com a participação Movimento Passe-Livre (MPL). Quinta-feira (06/06/2013) ocorreu uma grande manifestação de massa (que contou com adesão enquanto avançava) contra o aumento, duramente reprimida e que teve algumas depredações - a manifestação realmente "parou São Paulo", ou pelo menos o centro e suas vias de escoamento (um dos lemas do movimento é "Se a tarifa aumentar, São Paulo vai parar").

É aqui que acontece o impressionante e a banana começa a descascar o macaco: inconformados com as manifestações, o que tem de mais podre e pelego no PT lança acusações espúrias contra o movimento. Dentre uma multidão de ratos que fazem frente com as concessionárias privadas, se destacou Paulo Henrique Amorim, que resume um pouco essas acusações absurdas. É claro que Amorim, que a propósito é empresário, não é exatamente um petista - do que ele gosta mesmo é de dinheiro e de ficar do lado de quem está ganhando. Mesmo assim, nosso empresário-jornalista quer posar de amigo dos trabalhadores. O comentário se resume a esse leque de acusações:

- São Paulo foi parada quinta-feira a noite (06/06/2013) por "um conjunto de jovens brancos de classe média" (realmente, que coisa horrível, BRANCOS!).

- "Não havia ali um único negro." (além de um desqualificante clichê é uma mentira deslavada)

- "Parecia convenção do PSDB de São Paulo." (só que com a repressão da PM?)

- "Não havia um único trabalhador, que, como observou o Chico Pinheiro no Mau Dia Brasil, estava no trem, no metrô, de volta pra casa, depois de um dia de trabalho." (realmente, que lindo, até parece a propaganda tucana, essa que adora de falar de "trabalho", "esforço", "dar trabalho", etc)

E é isso: o comentário se resume a esses ataques emocionais, o sr. Amorim se recusa a discutir o fato principal que é o aumento do passagem. O mais próximo disso é a declaração de que o aumento de 20 centavos "é pequeno" - o último aumento foi de R$ 0,10 e os oportunistas do PT paulista disseram que era um roubo! Amorim ainda tem coragem (devo reconhecer) de informar que Dilma e Haddad negociaram a retirada dos impostos que incidem sob a passagem.... Mas mesmo assim a tarifa aumentou.

Voltando ao cerne do comentário do sr. Amorim, são usadas imagens muito apelativas no imaginário petista, uma esquerda que vive de representações. Num processo de reflexo condicionado, essas imagens fazem esses petistas salivar como os cães de Pavlov. Vejamos alguns comentários dos leitores levados como ovelhas pela "argumentação" de Amorim:

"Essa multidinha deve ter ido até o local com seus carros japoneses de R$ 60.000,00 no mínimo, e terem estacionado os seus carros num shopping mais próximo." (e sobre o aumento, não quer falar? Só provocação difamatória?)

"Durante os desgovernos de Serra/Kassab na Prefeitura de São Paulo a população aplaudia os aumentos dos onibus. Agora protestam?" (Manifestações que ocorrem há anos e que sim, foram convocadas contra Serra e Kassab, inclusive contando com a participação do PT)

"O WebArmy do Cerra está de volta!
Maio – Boato sobre o fim do Bolsa Família.
Junho – Organizar playboyzinhos e patricinhas de redes sociais para promover depredações.
Julho – ?" (Como já foi dito, já ocorreram em outros anos)

Uma demonstração de imbecilidade após a outra: não faltam outros falando que "não tem dúvida" que se tratou de uma "armação do PSDB". Será que é por isso que a polícia de Alckimin reprimiu duramente os manifestantes? Interessante, Paulo Henrique Amorim foi conivente com a repressão em seu texto: não falou dela em uma linha sequer (talvez estivesse com muita raiva por ter o CARRO parado na Av. Paulista?). Houveram, sim, alguns lampejos de luz nos comentários, inclusive muitas informando que haviam sim muitos negros, que são negros e estavam presentes etc (claro, afinal PHA estabeleceu essa estaca no debate: a presença de negros é o critério da verdade, não importa se a tarifa é extorsiva ou não).

A manifestação começou com 40 pessoas e engrossou conforme avançava; inclusive contou com a presença do Presidente do Sindicato dos Metroviários. É claro que o grosso era de estudantes , assim como na maioria de manifestações, como nas manifestações do PT, como no caso dos cãezinhos cabeludos que acompanharam Haddad pra lá e pra cá durante a campanha eleitoral, "brancos e de classe média". A mitológica classe média paulista e homens como Paulo Henrique Amorim (branco e de classe média? Ou um pouquinho acima? Afinal estamos falando de um empresário!) estavam presos dentro de seus carros.

É notável como a retórica onipotente destes petistas se baseia numa auto-imagem de campeões dos trabalhadores contra os "brancos de classe média a serviço do PSDB"(melhor isso do que falar em "burguesia", essa grande sócia do PT). Porém essa auto-imagem se desmorona perante um fato óbvio: estão mostrando as garras para defender os interesses das concessionárias. Retiram os impostos, dão subsidio e mesmo assim a passagem aumenta - a taxa de lucro sobe maravilhosamente enquanto esses fanfarrões usam a mesma retórica de leitores da Veja para declarar que "R$ 0,20 não é nada" (quer comentário mais adequado ao esteriótipo da classe média?). Enquanto isso os outros jornais, os do PIG tradicional, continuam pintando os manifestantes como criminosos, a diferença é que PHA fez a "versão de esquerda" - uma manifestação que existe há tempos se torna "golpismo da classe média conservadora". Não importa se trabalhador recebe vale-transporte (argumento que parece que saiu direto da boca do patrão), ele paga o transporte dos filhos e vai ter que pagar o próprio se cair no desemprego - a medida só serve aos interesses das concessionárias. A qualidade do transporte paulista é terrível e a tarifa não para de subir, enquanto isso os trabalhadores da empresa dos transporte sofrem com a pressão estatal a qualquer ensaio de greve.

O discurso pelego é exatamente isto: fazer a apologia do patrão mas com um discurso em defesa do trabalhador. Assim, Amorim e seu rebanho defendem os privilégios das concessionárias falando do "povo" e dos "trabalhadores", acusando os jovens reprimidos pela PM paulista de "golpistas da elite", quando a verdadeira elite está sendo muito bem servida por Haddad, com as empresas de transporte ganhando mais e mais (quem será mais "elite", jovens de classe média ou os burgueses que ganham milhões com o transporte público?). Lamentável que essa obsessão pelos trabalhadores não se traduza na consciência dos agentes do peleguismo. Esses preferem, infelizmente, espalhar mentiras absurdas e fazer coro  na ópera conduzida pela batuta do Maestro Amorim, o porta-voz das grandes empresas do transporte, velhas amigas do Estado paulista. Amorim sabe que, com as palavras certas, o rebanho se agita e o patrão felicita.

NOTA: Ao mesmo tempo que o poder público manda a PM para conversar com manifestantes, a pressão sob os professores se agrava.

2 comentários:

  1. Por que os comunistas não criam as próprias “empresas coletivas”?

    Eu vou dar uma ideia para vocês marxistas.


    Se vocês dizem se importar com os pobres, deveriam criar as suas próprias “empresas coletivas” e empregar pessoas da classe baixa. O faturamento que vocês obtivessem durante o mês, seria dividido de forma “igualitária” para todos os trabalhadores dessas empresas. A mesma coisa poderia ser feita no meio rural criando “fazendas coletivas” empregando pessoas pobres e dividindo o faturamento igualmente com todos os trabalhadores dessa “fazenda coletiva”.

    Comunista tem que aprender que em uma sociedade, ninguém é obrigado a pensar da mesma forma e nem seguir a mesma ideologia politica.

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  2. E agora ele está chamando o povo para ir as ruas pela Constituinte... Esse PHA é o maior fanfarrão que o Brasil já teve. Sabe se tem mais sites criticando ele? Precisamos divulgar!

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